Garimpo Netflix: Epidemia

Eu tenho 35 anos e vivo numa área residencial de classe média no subúrbio do Rio de Janeiro. Dada a minha idade e a localidade de minha residencia, estou acostumado com a ameaça biológica natural, agravada pela modificação do espaço pelo ser humano (também sou professor de geografia), presente no cotidiano dos brasileiros, e em especial dos cariocas, desde tempos imemoriáveis. Malária, dengue, chicungunha, zika e, agora mais recente, o surto de febre amarela apenas para me limitar às doenças transmitidas por mosquitos. Estivemos também sob a mira de doenças transmitida por contato direto, algumas bem letais, como a gripe suína (o famoso H1N1) e a gripe aviária, que ceifaram a vida de mais de 2 mil brasileiros. Não vamos esquecer de outros surtos globais recentes altamente letais que felizmente não chegaram em território nacional, como o surto de ebola na África Ocidental.

Ebola – tamanho não é documento…

Perceba você que vivemos sob a ameaça constante de termos nossa existência apagada num piscar de olhos por seres virtualmente invisíveis. Talvez o mais assustador seja que não precisamos ficar enfermos para termos nosso meio de vida afetado por alguma pandemia. Basta olhar para o passado e constatar que por muito pouco a civilização como a conhecemos chegou perto do fim, como na peste negra e a gripe espanhola.

Inspirado por essa bela temática, apresento 3 filmes sobre contágios. Um por meio de parasitas em um ambiente nunca antes explorado, outro sobre um vírus transmissível pelo ar e um sobre doença contraída a partir de alimentos, para dar razão à sua mãe que sempre pede para você lavar a mão antes de comer.


Vírus (Carriers), de 2009, dirigido por David Pastor e Àlex Pastor

Vírus é o típico filme de sobreviventes em um mundo que já foi destruído por um vírus letal. Nele acompanhamos os irmãos Brian (Chris Pine) e Danny (Lou Taylor Pucci), com suas respectivas namoradas, tentando cruzar o país de carro para chegar à um destino no qual eles recordam, de férias quando crianças, ser um bom local para passar o resto de suas vidas. Obviamente que contratempos ocorrem e posturas diferentes perante certos desafios colocam os irmãos em rota de colisão.

Chris Pine, em uma atuação belíssima, incorpora a persona de irmão mais velho protetor e faz de TUDO para cumprir seu objetivo ao mesmo tempo que tenta fazer seu irmão mais novo aceitar que aquilo que fazia a sociedade ser civilizada não existe mais. Sem dúvida, essa é a essência do filme e o que melhor ele expressa. Podemos ser civilizados em um mundo onde as regras sociais não se aplicam mais?

“As pessoas são tão boas quanto o mundo permite. Quando tudo acabar, as pessoas civilizadas vão comer umas as outras!” (Coringa)

Cooties: A Epidemia (Cooties), de 2014, dirigido por Jonathan Milott e Cary Murnion

https://www.youtube.com/watch?v=qv-Qo_EGi_w

Muitas doenças letais chegam aos seres humanos por meio da comida e, em Cooties: A Epidemia, o alimento que dá início ao surto é o famigerado, e delicioso, nugget de frango. De forma bem cômica, o longa se passa em um local muito apropriado para o início de uma pandemia: uma escola de fundamental 1 (do 1o ao 5o ano). Durante o intervalo das aulas, algumas crianças consomem a comida infectada a passam a agir como se estivessem contraído o vírus da raiva, atacando tudo e todos. Cabe aos professores escaparem dessa escola e sobreviverem em um mundo onde as crianças são portadores desse vírus letal.

Trazendo uma crítica interessante, mesmo que superficial, sobre a qualidade da merenda escolar servida em escolas norte-americanas (alvo de muitas críticas em diversos documentários), apresentando o conceito de imunidade, mesmo que de forma muito tosca, já que o vírus só afeta quem não passou pela puberdade, e mostrando que agir de forma agressiva e imbecil não é coisa de adulto, Cooties é um filme divertido sobre uma temática muito séria.

Viral, de 2016, dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman

Quase como se fosse um prequel do Vírus, Viral mostra do ponto de vista de uma família de classe média o início de um surto de contágio. Aqui o vilão não é um vírus e sim um parasita que usa o corpo humano como hospedeiro para se propagar, alterando seu comportamento para facilitar sua disseminação. Por mais assustador que possa parecer, isso é bem comum na natureza e certamente tem grande efeito em animais sociais como nos primatas que somos.

Outro trunfo do filme é ver como as autoridades lidam com o problema. Temos desde informes dados para evitar que o contágio aumente, indo até ações de contenção direta (mostrando que nossos direitos não são lá alienáveis) até chegarmos a total falta de informação sobre o que está acontecendo no país/mundo. Muito interessante, e verossímil, ver que no início do surto as pessoas agem com se aquilo fosse algo muito distante, não valendo a sua preocupação… exatamente como vemos os surtos que nos cercam, até ser tarde demais.

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