Garimpo Netflix: Feminismo, Amor e Vergonha Alheia

O Garimpo de hoje é bastante diverso. Cansadíssima de assistir filmes que me decepcionam, dei chance à outras áreas – entre elas, minisséries e documentários. Por conta disso, trago uma indicação de cada gênero, além do meu tradicional filme indiezinho que se propõe a ferrar com a cabeça do telespectador suavemente. Todos os três títulos foram devidamente apreciados durante a semana, após exaustivos dias de trabalho, e desceram perfeitamente.

A variedade de hoje está não só nos gêneros sortidos como nas propostas – um que é assunto sério, outro que é cômico e outro que é só inesperado e difícil de definir bem. Espero que gostem e comentem, curtam e compartilhem!


She’s Beautiful When She’s Angry, de 2014, dirigido por Mary Dore

Essa indicação tem muito minha cara, sim. Inspirada um pouco ainda na recente Lista de 10 Filmes sobre Empoderamento Feminino, trago esse documentário completíssimo, onde acompanhamos a linha do tempo do feminismo a partir do movimento dos anos 60 nos EUA. Começando pelo básico e abordando até temáticas mais desenvolvidas do assunto, como a divisão de classes ou raças dentro do feminismo, a produção se sai muito bem ao unir uma obra tão esclarecedora quanto bem ritmada. Não, não fica chato, eles não perdem o fio da meada ou coisa assim. Como eu já disse em outra oportunidade, eu sei que ainda há preconceito em cima da simples categoria de “documentário” quando se trata de filmes, mas podem confiar.

Complicações do Amor (The One I Love), de 2014, dirigido por Charlie McDowell

Esse se tornou o meu mais novo filme alternativozinho preferido. É um kit de coisas pelas quais sou fascinada: irmãos Duplass por trás da produção, Mark Duplass, meu crushzão de amizade, atuando (dobradinha que já nos deu Blue Jay, indicado aqui neste mesmo quadro do Garimpo em seus primórdios), Elisabeth Moss, que é esquisita mas excelente atriz e é minha queridinha desde “The Handmaid’s Tale”, e discussão de relação. Ok, essa última é uma piada comigo mesma já que eu tô sempre pensando sobre a existência, relevância e qualidade das relações humanas e acho que as pessoas (lê-se ex namorados/as) podem ter a impressão de que eu amo uma DR. Mas é uma piada, ria aí.

Como o trailer deixa bem claro justamente por NÃO deixar claro, é uma história com um elemento fora do comum e que não dá pra ser dito sem estragar tudo. Um estranhamento que vai além das já presentes esquisitices em namoros ou casamentos. O que posso dizer é que é uma viagem de LSD do seguinte questionamento: até que ponto nós, humanos, estamos dispostos a ir com alguém? E, paradoxalmente, até que ponto essa insistência não é tão construtiva quanto destrutiva? Deixo palavras que só farão sentido, assim como o trailer fez pra mim, após assistir ao longa.
The Mortified Guide, de 2018, dirigido por Michael Mayer

Não sei vocês, mas eu já tive diários. Sim, no plural, pois foram vários. Com minha memória falha do jeito que é, consigo lembrar, de cabeça, de 4 vezes que mantive o hábito de escrever diariamente. Eu era criança e, depois, adolescente. Algumas vezes, anos mais tarde, eu achava o diário e morria de rir e de vergonha. Mas bastava fechar o livrinho que passava. Imagina só, que loucura, se eu tivesse lido em voz alta, pra algum tipo de público? Pois é. De certa forma, não é uma ideia brilhante pelo apelo cômico que ela carrega? Os criadores dessa minissérie tiveram a ideia que eu ou você poderíamos ter posto em prática e feito muita grana. E deu certo DEMAIS.

Dentro de episódios breves com um formato que mistura o estilo de stand-up com palestras motivacionais, The Mortified Guide deixa a gente deliciado com histórias alheias de constrangimento no amor, sexo, escola, religião e família. Mas fique tranquilo que não é nenhuma vergonha alheia à nível de Jackass (aqui irritando meu editor que gosta dessa literal merda) (Nota do Editor: Jackass é o que há de puro na produção cultural da humanidade), em que você acha a coisa tão deliberadamente imbecil que não consegue ter qualquer sentimento que não raiva e vergonha genuína. Não. Chega a ser reconfortante ouvir histórias da puberdade e perceber que você não estava sozinho passando vergonha ao se declarar pro seu crush e ser humilhado por MSN… tem sempre alguém pior por aí!

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