Garimpo Netflix: Esportes!

Hollywood tem uma longa história de filmes sobre esporte. Alguns hoje são até mesmo tidos como clássicos como “Carruagens de Fogo“, “O Lutador” (a respeito do qual fizemos um Assista!), “Homens Brancos Não Sabem Enterrar“, além da infinidade de filmes sobre boxe absolutamente cultuados por todo o cinema, sendo a franquia Rocky o seu maior expoente.

Infelizmente, a maioria dos títulos produzidos com essa temática são extremamente formulaicos, sem inspiração e genéricos, tratando o assunto quase que exclusivamente por um prisma de superação e redenção, como nos muitos clássicos da sessão da tarde, tipo Emilio Estevez e seus saudosos Mighty Ducks.

Aqui no MetaFictions nós já apresentamos duas listas de filmes sobre o assunto: Filmes Emblemáticos Sobre Automobilismo e 10 Filmes Memoráveis Sobre Futebol. Agora vamos introduzir a vocês 4 filmes disponíveis na Netflix sobre esportes, sendo que 3 deles são absolutamente obrigatórios e o restante é uma daquelas comédias escrachadas que adoramos ver de tempos em tempos e que ainda tem o Stifler!


Os Brutamontes: O Último dos Executores (Goon: Last of the Enforcers), de 2017, dirigido por Jay Baruchel

Ao que parece, há uma posição não oficial dentro do hóquei no gelo que é a do enforcer, tough guy, fighter ou goon. Todos esses nomes deixam claro que o Goon do título original é nada mais que um jagunço que entra no rinque exclusivamente para lamber na porrada algum jogador do time adversário. Considerando ser este um esporte cujos fãs salivam muito mais pelo momento em que a porrada vai estancar do que pelo gol, faz todo o sentido que seja assim mesmo.

Nesta continuação que realmente não necessita do filme original para ser apreciada, Doug Glatt (Seann William Scott, o eterno Stifler) é o tal do brutamontes do título, um sujeito que está dois ponto de QI acima de ser diagnosticado com idiotia, mas que tem um coração enorme e fará tudo por sua família e amigos. Aqui ele está chegando ao final da carreira como jagunço de um time de uma espécie de 2a divisão do hóquei norte-americano e, após apanhar de uma jovem estrela, se vê obrigado a se aposentar porque sua mão de dar na cara dos outros está machucada.

É óbvio que ele vai dar a volta por cima e socar a fuça de muita gente até o final do filme. Este é possivelmente o filme mais canadense de todos os tempos, contando com um elenco de atores locais de algum renome e com Liev Schreiber, que aqui interpreta um jagunço desses das antigas que funciona como uma espécie de mentor do Stifler. É uma comédia daquelas bem escrachadas, para se ver sem qualquer compromisso com qualquer coisa que não o entretenimento.

Dangal, de 2016, dirigido por Nitesh Tiwari

Dangal é produto da obstinação, talento e prestígio que o espetacular Aamir Khan desfruta na Índia e internacionalmente. Aqui ele interpreta Mahavir, um praticante de luta-livre indiana amador e que teve sempre o sonho de representar seu país internacionalmente na luta greco romana, mas que tem seu sonho destruído quando seu pai o força a largar de mão essa tolice em favor de conseguir um emprego que possa sustentar a si e sua família. Mahavir então tenta ter um filho e fazer desse o grande campeão indiano de luta-livre a conseguir uma medalha para o país em alguma competição internacional. Ocorre que Mahavir, agora velho e barrigudo, só consegue gerar mulher, destroçando seu sonho. Isso até ele descobrir que suas filhas estão cobrindo de porrada os bullies da escola, o que lhe dá a ideia de que seu sonho pode se tornar realidade, mas com suas filhas ao invés de filhos.

Temos aqui uma história bem convencional de gente superando limites e preconceitos para se chegar a um objetivo. O diferencial desse filme é a verdadeiramente magistral atuação de Khan (a cena de luta inicial é simplesmente fantástica), a trilha sonora nada menos que espetacular (acima até mesmo das melhores de Bollywood) e uma trama que celebra a igualdade de oportunidade entre gêneros, ainda que partindo de um sonho masculino. Trata-se de um filme excepcional e que pode ser visto por toda a família.

Ícaro (Icarus), de 2017, dirigido por Bryan Fogel

https://www.youtube.com/watch?v=TvsXSvMu0jE

Bryan Fogel, o diretor de Ícaro, é criador e diretor de uma peça de algum sucesso na Broadway chamada Jewtopia. Em paralelo a isso, ele mantinha uma carreira como ciclista amador (desses cujas bikes de 15 mil dólares são roubadas direto na Lagoa Rodrigo de Freitas), profundamente afetada com os escândalos de doping que começaram a ser acumular dentro do ciclismo profissional a partir da debacle de Lance Armstrong, herói americano que havia vencido um câncer no testículo para voltar ao esporte e ganhar o Tour de France dopado até a medula. Fogel teve uma ideia: fazer um documentário no qual ele se valeria de técnicas e profissionais de ponta no doping por alguns meses a fim de ver até que ponto isso melhoraria sua performance na Haute Route, supostamente a prova de ciclismo amador mais difícil do mundo.

No meio deste processo, Fogel conheceu o Dr. Grigory Rodchenkov, o personagem que faria com que o foco de seu documentário mudasse totalmente e o tornaria o documento mais bombástico no esporte de todos os tempos. Rodchenkov era o diretor do laboratório de controle anti-doping da Rússia e um dos responsáveis pelo maior esquema já criado para burlar os testes de anti-doping dos atletas russos, em uma conspiração que alcança até os mais altos escalões do governo russo, apesar de Putin e seus asseclas negarem o que ele fala, e que culminou na exclusão da Rússia do atletismo dentro dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Este documentário não é excelente somente por causa do tema e do que ele veio a conflagrar. Ícaro, que foi justamente premiado com o Oscar de melhor documentário este ano, é dirigido por Fogel de forma precisa, valendo-se de testemunhos, de si mesmo e de uma direção de arte impecável para explicar ao espectador exatamente como tudo era feito e o quanto é fácil contornar este controle, efetivamente deixando claro a todo mundo que aquela nossa desconfiança de que os atletas de alto rendimento só chegam lá na base de muito, muito doping é verdadeira.

 

– O Homem Que Mudou o Jogo (Moneyball), de 2011, dirigido por Bennett Miller

Este é um filme que poderia tranquilamente estar em nosso Garimpo Netflix: Indicados ao Oscar, já que, além de ser excelente, foi indicado (e perdeu) a 6 Oscars em 2012: Melhor Filme, Ator para Brad Pitt, Ator Coadjuvante para Jonah Hill, Montagem, Roteiro Adaptado e Edição de Som.  Ainda que tenha essas credenciais e seja estrelado por um mega-astro como Brad Pitt, o filme, talvez por tratar de um esporte que os brasileiros simplesmente não entendem (e não tem que entender mesmo não, já que é chato pra caralho e complicado), passou quase que totalmente despercebido por aqui.

Pudera. A sinopse é bem escrota: baseado em uma história real, um manager (palavra em inglês aqui usada porque o beisebol é um esporte tão bizarro que há um cara que treina o time e um que decide as contratações, sendo este último o tal manager) vivido por Brad Pitt quer revolucionar o jogo ao usar algoritmos, estatísticas e análises de computador criados pelo economista-nerd interpretado por Jonah Hill para conseguir montar um time bom com um orçamento apertado, mais ou menos como a maioria dos times de futebol do Brasil. Lendo um negócio desses, realmente não há qualquer incentivo para assistir ao filme, mas podem confiar em mim quando eu digo que Brad Pitt e Jonah Hill fazem com que este seja uma das grandes obras de esporte já feitos, usando o esporte aqui apenas como um pano de fundo (felizmente, já que beisebol é um porre) para as frustrações e pressões que qualquer um sofre quando tenta arriscar e desafiar o status quo.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.