Garimpo Netflix: Originais Netflix 2

Como já falei aqui no nosso primeiro Garimpo Netflix: Originais Netflix, a líder do mercado de streaming investiu uma nota preta em novas produções este ano. Prova disso é que a sexta-feira se tornou o dia praticamente oficial dos lançamentos das obras originais Netflix e nós estamos aqui como malucos correndo para conseguir assistir e resenhá-las para vocês o mais rapidamente possível. Agora, mais do que nunca, um garimpo com as obras originais da Netflix se justifica, já que qualquer coisa feita em larga escala geralmente não mantém uma qualidade consistente, o que a Netflix faz o favor de corroborar quase toda semana com desgraceiras como Step Sisters e Edha, ambas resenhadas no link.

Teremos hoje aqui aquela que é, em minha opinião, a melhor obra original Netflix feita até aqui, uma animação adulta de comédia sobre uma família na década de 70 e uma comédia besteirol inglesa na escola Monty Python, trupe de comédia britânica que inspira vários memes até hoje e que, caso você não conheça, você tem a obrigação de ir ao catálogo da Netflix e assistir aos 3 filmes e à série lá disponibilizadas.


Beasts of No Nation, de 2015, dirigido por Cary Joji Fukunaga

Depois de produzir e dirigir a nada menos que espetacular 1ª temporada de True Detective (votada em nosso Top 10 – Melhores Séries do Século XXI), Fukunaga se tornava um dos nomes mais requisitados de Hollywood. Este filme, contudo, já estava produzido e praticamente pronto, mas talvez sem o prestígio de Fukunaga, a Netflix não teria se disposto a comprar os direitos globais de distribuição de um filme que, para padrões hollywoodianos, custou uma merreca. O próprio Fukunaga adaptou para o cinema o romance homônimo de Uzodinma Iweala e contou com o suporte do nome de Idris Elba para não só estrelar o longa, mas também para produzi-lo.

Elba, inglês nascido em Londres, tem um pai de Serra Leoa, um dos países africanos que mais sofrem com milícias, guerrilhas e com a guerra civil eterna que não mostra qualquer sinal de que vai parar. Beasts of No Nation nos conta a história de Agu (Abraham Attah), um moleque de seus 10 anos que vê seu pai e irmão sendo assassinados em sua frente por uma tropa pertencente a um grupo rebelde que acaba de depor o governo e agora está fazendo a limpa no país. Agu é, contra sua vontade, recrutado para se tornar mais uma das inúmeras crianças-soldados, em uma situação que é tão frequente quanto absurda, enquanto nutre alguma esperança de ir a capital e encontrar sua mãe e irmãos que supostamente ainda estariam vivos.

Dirigido magistralmente por Fukunaga, que também assina a fotografia do longa, Beasts of No Nation é daqueles filmes necessários, que chocam não porque são feitos para chocar, mas porque não há qualquer alternativa a um sujeito minimamente sensível que não se chocar ante a barbárie da condição humana que se perpetua na África desde tempos imemoriais.

F Is For Family, de 2015 – , criado por Bill Burr e Michael Price

https://youtu.be/HFzrvMS6P8g

Bill Burr é um dos meus comediantes de stand-up favoritos, tanto que seu especial do ano passado entrou na nossa lista de Os 10 Melhores Especiais de Stand-Up da Netflix de 2017. Seu estilo agressivo, de um cara que tem muita, mas muita ira acumulada dentro do peito está por todo lado nessa série animada original Netflix criada por ele e por Michael Price, que foi produtor dos Simpsons por mais de 15 anos. Além de criador e protagonista, Burr também co-assina os roteiros das 2 temporadas feitas até aqui (a 1ª com 6 e a 2ª com 10 episódios) e mais da 3ª que deve estrear em algum momento de 2018.

Toda as neuroses e raiva que ficam claras em Burr em seu stand-up estão evidenciadas na figura de Frank Murphy (voz do próprio Bill), um pai de família em algum momento da década de 70 que está lutando para sustentar os seus enquanto a vida lhe coloca cada vez mais na merda. F is For Family é hilário, mas vai muito além, apresentando a tragédia que é a vida dos Muphy e fazendo também um grande comentário social sobre temas tão atuais hoje em dia como o racismo, o sexismo e a crise econômica.

Ah, a trilha sonora também é foda, com destaque para a abertura.

Mindhorn, de 2016, dirigido por Sean Foley

O Reino Unido tem uma longa história de comédias bestas, com piadinhas idiotas e um humor que se notabilizou por tirar sarro de si mesmo. Mindhorn é exatamente isso. O protagonista é um ator velho, careca, gordo e esquecido chamado Richard Thorncroft (Julian Barratt). Na década de 80, ele interpretava Mindhorn, o herói de uma série de TV daquelas meio bosta que todos adorávamos tipo MacGyver e afins. Passados 25 anos de uma decisão que o fez perder o estrelato, Richard hoje está numa merda de dar gosto, mas sem perder toda a sua arrogância e soberba de quem ainda se acha fodão.

As coisas mudam quando Richard é contatado pela polícia da Ilha de Man, um cenário idílico e pacato da Inglaterra onde a série era filmada na década de 80, porque um assassino afirma que só falará com o detetive Mindhorn, achando que este é uma pessoa de verdade. E lá vai Richard com sua pança e peruca tentar se fazer passar por Mindhorn novamente, ganhar as manchetes dos jornais por ter resolvido o caso e novamente tornar-se relevante.

Trata-se de mais uma daquelas comédias leves e divertidas que a Inglaterra não cansa de lançar na tradição de clássicos como Punch and Judy e Monty Python.

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