Garimpo NETFLIX: Salada Mista

Lá em fevereiro de 2017, quando o seu site favorito sobre cinema veio ao ar, o formato do Garimpo era muito cru e profundo. Indicávamos apenas bons filmes que tivessem passado despercebidos pelo grande público ou que tivessem sido mal distribuídos no Brasil, sem qualquer outra restrição. Apresentamos obras belíssimas e de dificílimo acesso, como o sul coreano Hope. Por mais que cumprisse o seu papel, o quadro servia mais para evidenciar uma obra como artigo do que como uma indicação a ser vista, já que alguns dos longas foram assistidos por nossos escritores anos atrás em um cinema de rua de algum bairro bucólico metido a intelectual do Rio de Janeiro, estando somente acessível nos dias de hoje por caminhos escusos da internet.

Para tornar o quadro mais útil, optamos por indicar somente obras de fácil acesso do conforto do seu lar/celular. Para tanto a solução óbvia seria indicação dentro dos catálogos dos serviços de streaming. Em 13/06/2017 foi ao ar nosso 1o Garimpo NETFLIX (confira aqui!), indicando agora 3 ao invés de 1 obra, incluindo também outros formatos de audiovisual (séries, especiais de stand-up…) e aprofundando menos a respeito no corpo do texto. Deu certo. Obviamente que quando se pensa em streaming, a NETFLIX é a referência e, logo, é a plataforma que domina o quadro, o que não nos impediu de fazermos Garimpos para a HBO GO (clique aqui!), Amazon Prime Video (Terror e Animes) e Crunchyroll (Animes 1 e Animes 2) – e se vocês quiserem que façamos mais dos outros serviços, avisem-nos nos comentários.

Uma terceira e velada mudança veio em 08/08/2017 com os Garimpos Temáticos. Essa mudança não foi oficial (quando a diretoria decide que será assim comendo em algum podrão da zona norte do Rio), mas veio para dar coesão às obras da publicação, como no nosso primeiro Garimpo NETFLIX: Vampiros (confira!). Essa mudança foi gradualmente assumindo o formato do quadro e hoje ela impera como uma diretriz para nossos escritores caso queiram fazer um Garimpo. Embora quem decida se a obra é digna do quadro seja quem escreve – e como somos em 10 escritores, nosso conceito de digno difere bastante – algumas obras podem não ser consideradas boas o suficiente para figurar no trio de indicação, sendo vetadas por nosso editor-chefe Gustavo (que é escroto por vocação, basta ler no perfil dele).

Tendo isso em mente, chega um filho da puta que nem eu – obviamente contrariado por ter filmes vetados e sem conseguir completar um tema com 3 filmes – para subverter o sistema e apresentar 3 obras com o tema Salada Mista, ou seja, elas não possuem qualquer fio condutor que as ligue a não ser sua qualidade impecável. Apresento hoje dois formatos distintos, com dois longas e uma série, três gêneros de grande interesse meu, sci-fi (já com dois Garimpos no site, Sci-Fi 1 e Sci-Fi 2), aventura e policial e, por fim, passando-se em três locais distantes um do outro, EUA, África do Sul e Nepal.

Aproveitem e comentem o que acharam dessa minha filha da putagem!

Chappie, de 2015, dirigido por Neill Blomkamp.

Neill Blomkamp é um dos diretores que mais me chamam atenção atualmente no gênero Sci-Fi. Meu primeiro contato com seu trabalho foi no ótimo e necessário longa “Distrito 9” (presente em nosso Top 10 – Filmes de Aliens), que faz uma alegoria sobre a segregação racial na África do Sul. Ainda em sua terra natal, Neil apela para uma outra temática dentro da ficção científica para debater questões sociais: a inteligência artificial. “Chappie” passou meio que batido pelos cinemas brasileiros, assim como o Distrito 9 – que só ganhou nome devido às 4 indicações ao Oscar -, e figura entre meus filmes favoritos sobre a ascensão, ao que parece inevitável, da inteligência artificial.

O longa conta a história do adorável Chappie, interpretado pelo conterrâneo do diretor, Sharlto Copley, em uma parceria já prolífica. Ele é um robô policial avariado que recebe um programa que lhe dá consciência de si mesmo, mas que “cresce” dentro da uma parcela marginalizada da sociedade sul africana. Contando com nomes conhecidos, como Dev PatelHugh JackmanSigourney Weaver, vemos o embate entre camadas da sociedade, discussão sobre a criação de vida artificial, a fúria cega que a ambição causa no ser humano e interesses corporativos imperando sobre o bem-estar social. Mais do que vale seu tempo!

–  Evereste (Everest), de 2015, dirigido por Baltasar Kormákur.

https://www.youtube.com/watch?v=WTt1hpwMEVQ

O ser humano é, sem sombra de dúvida, o animal mais intrigante que existe. Não há muito tempo do ponto de vista geológico, deixamos o berço de nascimento da nossa espécie, no qual fomos naturalmente selecionados, e nos expandimos para todos os ambientes terrestres/aquáticos. Triunfamos na maioria deles –  e leia-se triunfar como conseguir se manter e perpetuar a espécie a médio prazo – e certamente você está lendo essas indicações rodeado por invenções que permitem nossa permanência em locais adversos, como aquecedores, ar-condicionados, água encanada, e, mais basicamente, a roupa. No entanto, algumas localidades no globo não permitem nossa permanência, tornando-nos meros visitantes esporádicos e, eventualmente, quando permanentes, cadáveres.

Um desses locais é a cordilheira do Himalaia, no Nepal, onde toma cena o longa Evereste. Baseado em uma história verídica, acompanhamos grupos de alpinistas profissionais e “amadores” tentando chegar ao cume do ponto mais alto da superfície terrestre quando são atingidos por uma tempestade. Com um elenco com diversas estrelas, como Jason ClarkeMichael KellyEmily WatsonSam WorthingtonKeira KnightleyJosh BrolinJake Gyllenhaal e Robin Wright, vemos diversos dramas pessoais conduzidos pela provação da empreitada que é escalar esse monstro de 8.848 metros de altitude que é o Evereste. Recheado de cenas de tirar o fôlego, com uma cinematografia espetacular e muito bem dirigido, é inconcebível que essa obra tenha escapado aos olhos dos populares, já que há aqui orçamento e um formato pipoca.

Manhunt: Unabomber, de 2017-presente, criado por Andrew SodroskiJim Clemente e Tony Gittelson.

https://www.youtube.com/watch?v=tKSO3TEKAes&t=31s

Antes do terrorismo virar modinha em 2001 com o ataque ao World Trade Center e ter como seu expoente Osama bin Laden, que certamente está em Guantánamo sendo torturado (jogaram o corpo no mar… sei, valeu), nos EUA ele costumeiramente era associado às questões domésticas e tinha como principal nome o temido e odiado Theodore “Ted” Kaczynski, vulgo Unabomber. E com muita competência que o Discovery Channel produziu uma série de 8 episódios para contar sua história, desde sua formação como pessoa, passando por sua captura e chegando ao seu julgamento.

Centrado na metade final da década de 1990, acompanhamos Jim Fitzgerald (Sam Worthington), investigador do FBI incumbido de analisar escritos para fazer um perfil de quem está cometendo os atentados. Caso você tenha nascido no século XXI e esteja acostumado com terroristas que não prezam nem por suas próprias vidas ao cometerem atentados suicidas ou com pouca probabilidade de fuga, no século XX a maior parte dos terroristas gostava de apreciar seus feitos em liberdade, como é o caso do Unabomber. Seus atos hediondos não eram perpetrados através de aviões colidindo com prédios, nem com tiroteios em badalados eventos, muito menos com carros avançando sobre pedestres em locais públicos, mas, sim, através de cartas bombas.

Somente com a linguagem forense, analisando as cartas e manifestos enviados por Ted para propagar sua filosofia de vida, é que se torna possível avançar em sua captura. Contando a história de forma bem humanizada, com atuações convincentes e seguras, especialmente de Paul Bettany (Unabomber) e Chris Noth (Don Ackerman, chefe da investigação), a série é um agrado aos famintos por obras policiais.

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