Garimpo NETFLIX: Sexo

A vida de todo moleque na casa dos seus 14 anos é ver pornografia e sonhar que um dia colocará parte daquilo em prática. Claro que com apenas 14 anos, além de ser ilegal ter acesso à pornografia e realizar o coito, não há aquele pensamento crítico por trás de como aquilo é filmado, do impacto que isso tem na vida dos atores e nem de como se é influenciado a pensar que a vida sexual se resume ao que se passa nesses filmes adultos.

Hoje em dia, a punheta é basicamente garantida com o acesso ridiculamente fácil – o que de fato é preocupante – à pornografia de todo tipo de gênero. Caso você curta pessoas amputadas defecando em jumentos albinos enquanto alguém fantasiado de panda bate uma bronha, você nasceu na época certa. Mas lá na década de 90, se você conseguisse a Playboy da Regininha Poltergeist era alguém de muita sorte. Botar as mãos em uma fita VHS pornô, então, era motivo para reunir seus amigos e tentar entender o que estava acontecendo. Se bem que, pensando agora, um monte de moleque vendo pornô junto era de fato estranho, mas acontecia.

Como a NETFLIX não tem filmes adultos (embora tenha brincado com isso em uma de suas pegadinhas de 1º de Abril), apresento aqui em nosso Garimpo três obras que mostram a escalada rumo ao sexo. Iniciando com uma série sobre a indústria pornográfica, passando para um documentário sobre voyeurismo e terminamos com um filme sobre orgia.


Hot Girls Wanted: Turned On, de 2017, dirigido por Jill Bauer e Ronna Gradus.

A indústria pornográfica sempre foi um monstro em termos financeiros e manteve um padrão de produção relativamente constante durante décadas. Mas, no final dos anos 90, a internet chegou e com ela o modelo de produção e distribuição tradicional foi pro caralho (talvez até mesmo literalmente). O advento de modernas tecnologias modificou não somente a pornografia, mas também como as relações amorosas/sexuais se dão e é isso que Hot Girls Wanted: Turned On aborda em seus 6 episódios.

Essa série é derivada do documentário “Hot Girls Wanted“, premiado por abordar a exploração das meninas na indústria pornográfica nos dias atuais. Seguindo uma uma linha semelhante, cada episódio explora um tema dentro dessa indústria, indo desde pornografia feita por e para mulheres, passando por aplicativos e sites de relacionamento e chegando à crimes sexuais perpetrados na internet.

Voyeur, de 2017, dirigido por Myles Kane e Josh Koury.

Tirando seus pais, caso você tenha visto outro casal transando sem ser notado deve ter sentido aquela adrenalina do medo e excitação de estar assistindo algo íntimo e privado. Todos somos voyeurs, embora a maioria não seja um Norman Bates, ao assistirmos pornografia. Agora imagine um hotel de beira de estrada especialmente arquitetado para a prática do voyeurismo pelo seu proprietário em todos os quartos.

É exatamente assim que é o hotel de Gerald Foos, voyeur que acabou vendo muito mais do que gostaria em sua propriedade durante anos. Apesar de começar com um tom sexual, boa parte do documentário é focado na veracidade dos relatos de Gerald durante o processo investigativo do escritor do The New Yorker, Gay Talese. Essa é uma obra tensa e, ao mesmo tempo que te deixará indignado, te traz uma excitação sem igual

Segue cena de “Encaixotando Helena“, longa que vi na casa dos meus 13 anos e que me marcou profundamente. O mais puro voyeur com uma bela trilha sonora. Enjoy.

Como Planejar uma Orgia em uma Cidade Pequena (How to Plan an Orgy in a Small Town), de 2015, dirigido por Jeremy LaLonde.

TODO homem almeja fazer uma orgia pelo menos uma vez na vida (ainda que seja só um menagezinho mixuruca) e, embora a maioria nunca venha a fazer, não temos ideia de como proceder em uma. Basicamente todo contato que temos com o tema é através de filmes com atores profissionais. Agora imagine que você esteja decidido a realizar sua fantasia. Quem convidar? Em qual lugar? Qual é a proporção ideal de homens e mulheres? É uma série de decisões que os moradores de uma pequena cidade nos EUA enfrentam ao organizar uma no longa Como Planejar uma Orgia em uma Cidade Pequena.

Com cenas divertidíssimas e uma variedade de casais, vemos os personagens tentando resolver seus problemas através do sexo grupal (o que me parece muito justo). Mesmo não entrando em tabus esperados para a temática, há aqui uma discussão sobre os rótulos que pessoas inclinadas à uma vida não monogâmica, independente de gênero, acabam recebendo. Há, também, de forma tímida, o questionamento do que se espera de homens e mulheres em um relacionamento em uma sociedade que nos pressiona a seguir padrões morais e éticos. Confira o longa e organize sua própria orgia (e não esqueça de me chamar)!

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