Garimpo Netflix: Copa do Mundo

Depois de toda a água com açúcar do Garimpo Netflix: Dia dos Namorados da semana passada, hoje vamos aqui apresentar obras que tem a ver com o assunto que povoa a timeline do Facebook de todo mundo, tornando 90% da população brasileira em especialistas sobre futebol. Fenômeno parecido com o que acontece em outras diversas modalidades esportivas durante as olimpíadas em que geral parece saber desde sempre o que é um waza-ari ou durante o Rock in Rio, quando aquela sua amiga do ensino médio que rebola até o chão ao som dos mais infames funks se proclama especialista em Metallica porque ouviu “Nothing Else Matters” uma vez aos 14 anos.

É Copa do Mundo, amigo. É a milonga argentina, é o toco y me voy, o tiki-taka, o viking clap islandês, o CR7 levando uma seleção nas costas e, hoje em dia, é também mexicano sendo taxado de homofóbico por xingar qualquer goleiro de viado (eeeeeeeeeee…. putooooooo!), senegaleses limpando o estádio após o jogo e, como não poderia deixar de ser, brasileiro dando vexame, seja ao fazer uma menina gritar “buceta rosa” sem saber o que é, seja com o cabelo do Neymar e sua tendência a se jogar no chão.

Em função disso tudo, hoje apresentamos obras disponíveis na Netflix sobre futebol, passeando por países como a China, a Inglaterra, a Espanha e a Dinamarca, todas leves e divertidas, lembrando a máxima de Nelson Rodrigues de que “Das coisas menos importantes, o futebol é a mais importante”. Não deixem também de conferir nossa lista de 10 Filmes Memoráveis Sobre Futebol.


Kung-Fu Futebol Clube (Siu Lam juk kau), de 2001, dirigido por Stephen Chow

Trata-se basicamente da versão live-action do anime Supercampeões que alegrava as tardes da criançada dos anos 90 na extinta TV Manchete. Stephen Chow é uma espécie de sumidade chinesa no que se refere à comédias e a rir das tradições de seu próprio país, como no já clássico e de rachar o bico “Kung-Fusão”. Não se deixe enganar pelos trocadilhos infames dos títulos, muito embora eles sejam pertinentes já que o kung-fu está presente em todos eles. Neste aqui, Chow é Sing, um sujeito que cresceu como um monge shaolin, mas que hoje tá na merda. Ele e seus amigos de infância shaolin, cada um com um “poder” especial que consegue perfeitamente ser adaptado ao futebol EXATAMENTE como num anime qualquer, montam um time ao perceberem que sua devoção ao kung-fu pode fazer com que ganhem o campeonato local de futebol, restaurem alguma coisa de suas honras e comecem a pagar as contas.

O filme é divertidíssimo, abusando de recursos gráficos e planos impossíveis em qualquer filme com algum comprometimento com as leis da física. Felizmente, Kung-Fu Futebol Clube está comprometido tão somente com a diversão ao apresentar cenas ridiculamente bem realizadas dentro da proposta da obra. É de dar graças também que a versão disponível na Netflix esteja na linguagem original com legendas em várias línguas e não nessa dublagem atroz do trailer.

Santo Time (Que baje Dios y lo vea), de 2017, dirigido por Curro Velázquez

Mais uma comédia daqueles bem bobalhonas na qual um padre espanhol apaixonado por futebol e meio maloqueiro é quase excomungado ao hackear a conta do Vaticano para subornar uma guerrilha africana para que as crianças de seu orfanato não fossem recrutadas. Não parece tão bobalhão assim, mas confiem em mim. É. E é para caralho. Isto faz com que ele seja retirado pelo Vaticano da África e jogado no Monastério de São Teodósio, um seminário em algum canto remoto da Espanha. A partir daqui, é uma maluquice do cacete, pois a diocese da região está colocando o monastério à venda e a solução encontrado pelo padre boleirão é treinar os seminaristas (e também convocar um evangélico trambiqueiro e bom de bola) para participar da Champions Clerum, uma espécie de Champions League entre os religiosos católicos da Europa que eu não posso acreditar que exista.

A lógica é igual a de vários filmes sobre esporte. Um time desacreditado se junta para, contra tudo e todos, superar obstáculos e vencer no final. Aqui esse clichê não é diferente, mas a coisa é toda à maneira espanhola, o que quer dizer uma absoluta falta de reverência à religião organizada, ainda que paradoxalmente respeitosa, com padres mandando gente se foder, dando tapas a la Bud Spencer na cabeça dos outros e com um seminarista com paralisia que é simplesmente hilário. Apesar de ser um filme bem irregular, Santo Time brinca com as nossas expectativas ao colocar padres e seminaristas neste tipo de situação e conseguiu me arrancar algumas boas e sonoras gargalhadas.

Verão de ’92 (Sommeren ’92), de 2015, dirigido por Kasper Barfoed

Na copa de 86, a Dinamarca, que ganhou o apelido de Dinamáquina, encantava o mundo com um futebol ofensivo que a levou a ganhar os 3 jogos da fase de grupos, inclusive metendo 6 no Uruguai, somente para que fossem esculachados nas oitavas pela Espanha de Butragueño. Tudo obra de Sepp Piontek, o técnico da seleção que a levara a sua primeira Copa, mas que a deixaria em 90 após o país não se classificar para a Copa da Itália. Seu assistente, Richard Møller Nielsen, foi então contratado como a 17ª opção. Desacreditado, criticado pela imprensa e sem a confiança do elenco, Møller não consegue classificar o time para a Euro de 1992, fazendo uma campanha irrepreensível, com apenas uma derrota para a então fortíssima Iugoslávia, que é quem se classifica.

Já contemplando sua demissão, Møller recebe a ligação que seria a mais importante de sua vida e do futebol dinamarquês. A Iugoslávia, afundada em uma guerra civil, havia sido excluída da Euro, fazendo com que a Dinamarca fosse convidada para seu lugar. E, daqui em diante, o resto é história. A Dinamarca conquistou o mais importante título de sua história de uma forma improbabilíssima.

Apesar do filme exagerar bastante a realidade do fato (Møller não era tão escrotizado daquela forma e a Dinamarca tinha feito uma campanha excelente naquelas eliminatórias com 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota), o mérito deste filme jaz na leveza com que trata a relação pesadíssima entre o técnico e jogadores, a maneira como todos lidaram com o câncer da filha de um deles, da superação das dificuldades por força do trabalho em equipe e, principalmente, ao nos lembrar que tem coisas que só o futebol pode nos proporcionar.

Penalidade Máxima (Mean Machine), de 2001, diririgo por Barry Skolnick

Com 15 anos de carreira profissional e 9 jogos pela seleção galesa de futebol, Vinnie Jones se tornou, nas mãos de Guy Ritchie em obras como “Snatch”, a epítome do tough guy inglês, aquele com um sotaque carregadíssimo e com quem você nunca vai querer se meter. Esta persona é só uma extensão do que ele já era como futebolista, já que Vinnie Jones era daqueles volantes assassinos, com recordes e mais recordes de violência em campo, como o do cartão mais rápido da história aos 3 segundos de jogo. Ele levava o hooliganismo para o campo, como ele mesmo dizia.

Penalidade Máxima nada mais é do que este personagem jogado em um filme. Nele, Jones interpreta um jogador recém-aposentado que é preso e na prisão, como sempre nesses filmes de esporte, ele arregimenta um grupo improvável de detentos para um time de futebol, com destaque para o goleiro interpretado por Jason Statham. É óbvio que aqui vai acontecer aquilo tudo com o que já estamos acostumados. Eles vão jogar com os guardas, alguém dirá que ele deve entregar a partida, essas coisas de sempre. O diferencial mesmo é o fato de ser um filme inglês, com aquele humor inglês que se aplica maravilhosamente aqui e que fez com que este se tornasse já um clássico cult na Inglaterra.

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