Garimpo Netflix #13: Adam Sandler

O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Basta olhar pros títulos de nossos 3 últimos Garimpos Netflix – Sangue e Tripas, Terror e Alemanha – pra cravar que a galera aqui do site é toda muito sisudona e cheia de probleminhas mentais. Seja pela evidente obsessão pela violência nos dois primeiros, seja porque a Alemanha está para a felicidade assim como o Brasil está para o IDH, o clima dos últimos garimpos foi um tanto quanto pesado demais.

É em função disso que eu tomei pra mim a missão de achar algumas das melhores, mais imbecis e ofensivas comédias disponíveis na Netflix. Não por acaso, boa parte delas é estrelada pelo Adam Sandler e aí tomei uma decisão polêmica. Hoje o Garimpo Netflix homenageia Adam Sandler, um cara capaz de coisas absolutamente sublimes como “Embriagado de Amor” e de merdas daquelas que fumegam por dias como “Click” ou “Cada um Tem a Gêmea que Merece”, ambos também disponíveis na Netflix. Hoje apresentamos pra vocês uma comédia do gênero Adam Sandler, uma menos escrachada e, por último, uma comédia daqueles meio metidas a besta a la Woody Allen.

Comentem, esculachem e não se esqueçam: “You can do it!”


– Este é o Meu Garoto (That’s My Boy), de 2012, dirigido por Sean Anders

Comecemos com uma comédia clássica do estilo Adam Sandler. Aqui ele vive Donny, um cara que virou a grande estrela de sua escola porque passou a rola na professora gostosa quando tinha 13 anos, engravidou a maluca e depois teve que cuidar do filho porque, afinal de contas, isso aqui é nos EUA e a mulher foi presa. Ele então cria seu filho enquanto mantém uma rotina de putaria braba até que, aos 18 anos, o moleque meio que foge do pai justamente por não aguentar mais aquela vida maluca. Bons exemplos são os fatos do pai ter mandado tatuar o moleque com New Kids on the Block na terceira série e que um dos seus “tios” era o Vanilla Ice. Anos depois, Todd, o filho interpretado pelo excelente Andy Samberg (de “Saturday Night Live” e “Brooklyn 99” indicado no Garimpo Comédias), vai se casar e Donny está na merda devendo uma grana violenta pra Receita. Obviamente, Donny vai fazer merda atrás de merda para reconquistar o amor do filho e conseguir pagar sua dívida.

Esse filme se desenrola mais ou menos como as comédias tradicionais do Adam Sandler, com ele interpretando um cara meio porraloca, mas de bom coração, e que segue em busca de redenção. O grande diferencial dessa para as outras é um roteiro com piadas escrachadas, mas pertinentes, e um elenco excelente, protagonizado por Samberg e Sandler e contando com participações especiais e hilárias de Vanilla Ice, Will Forte, Rachel Dratch, James Caan, Colin Quinn, Nick Swardson e o Steve de Barrados no Baile cujo nome real é irrelevante.

– Tá Rindo do Que? (Funny People), de 2009, dirigido por Judd Apatow

O diretor Judd Apatow é responsável por uma certa revolução no cinemão americano de comédia nos últimos anos. Foi ao produzir e dirigir coisas como “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad” (que só produziu) que o gênero da comédia popular clássica americana – que havia se tornado só um pastiche do que era antes com personagens idiotas e bordões bestas em geral vividos pelo próprio Adam Sandler, David Spade, Rob Schneider e afins – finalmente evoluiu para algo com conteúdo, mensagem e uma graça com bem mais significado do que o mero entretenimento. Guardadas suas devidas proporções, Apatow foi para as comédias dos anos 2000 o que John Hughes foi para as dos anos 80, ditando uma tendência que vem sido seguida até hoje.

Aqui ele se junta a Sandler e a Seth Rogen para contar a história de George Simmons, um comediante já famosíssimo e riquíssimo que vive uma daquelas vidas clássicas de astros de Hollywood com grana pra caralho, duzentos casamentos, muita sacanagem e por aí vai. Após descobrir que está com uma doença terminal, George percebe que está completamente sozinho na vida e apadrinha um comediante iniciante, Ira (Seth Rogen), e daí vai nascer uma amizade que vai ensinar uma lição a todos nós e blá blá blá. Apesar do clima pesado, trata-se de uma comédia excelente, ainda que com problemas de ritmo, com participações de gente que viria a se tornar gigante depois, como Jonah Hill, Aubrey Plaza, Aziz Ansari e uma caralhada de comediantes de stand-up americanos.
– Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (The Meyerowitz Stories), de 2017, dirigido por Noah Baumbach

Noah Baumbach é uma espécie de Woody Allen dos tempos modernos. Ele também adora e parece que só sabe falar daquela elitezinha intelectual de Nova Iorque com suas grandes questões metafísicas e tal. Um filme seu inclusive esteve no nosso primeiro Garimpo Netflix da história (que você pode conferir aqui). E Adam Sandler, em raras e excelentes oportunidades, resolve dar mais vazão a sua veia dramática em filmes nos quais ele não grita, não faz vozes de gente com algum retardo mental e tampouco conta piadas ofensivas. É exatamente o caso dessa película original da Netflix.

Aqui, Sandler é Danny, um cara meio fodido que sempre viveu à sombra dos irmãos mais velhos, vividos por Ben Stiller e Elizabeth Marvel (de House of Cards), e, principalmente, do pai, Harold Meyerowitz, vivido brilhantemente por Dustin Hoffman, um artista plástico de algum renome que exige toda a atenção da família para si o tempo todo e é casado com uma riponga maconheira interpretada com gosto pela sempre maravilhosa Emma Thompson. Temos um filme de muitos diálogos, de atuações excelentes e de uma graça sutil, mas que segue com o espectador a cada segundo do longa. É certamente, enquanto filme e não somente enquanto filme de comédia, a melhor das obras indicadas aqui.

– Adam Sandler: 100% Fresh, de 2018, dirigido por Steven Brill e Nicholaus Goossen

Nem todo mundo sabe, mas antes de entrar pro Saturday Night Live e logo depois se tornar um dos maiores astros da comédia mundial, Adam Sandler era um simples e jovem comediante de stand-up. Recentemente ele resolveu voltar a se apresentar, o que resultou neste verdadeiramente espetacular especial de stand-up da Netflix.

Nele Sandler canta, conta histórias, faz piada e ainda nos arrebata com uma homenagem de fazer suar os olhos ao seu grande e talentosíssimo amigo Chris Farley, que nos deixou cedo demais depois de uma carreira curta e com potencial de ser ainda mais bem sucedida que a de Sandler. Trata-se, na minha opinião, do segundo melhor especial de stand-up da Netflix do ano passado (sendo o primeiro o de James Acaster) e mostra um comediante no auge de sua forma no palco. E ainda tem, como não podia deixar de ser, a participação do Rob Schneider.

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