Garimpo Netflix #29: Thriller

O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Recentemente resenhei um filme da Netflix e uma estréia de cinema que mergulham fundam no thriller (os mais ou menos razoáveis “Sequestrando Stella” e “Atentado ao Hotel Taj Mahal“, respectivamente). Há algumas semanas, publicamos um Garimpo, “Coréia do Sul parte II“, que contava com alguns títulos também desse gênero. E a sensação, na maioria dos casos, ao assistir uma obra desse tipo que seja bem dirigida, é sempre a mesma: olhos vidrados e respiração descontrolada em uma trama que consegue envolver o espectador como uma poderosa teia de aranha, impossível de se desvencilhar.

Voltando a experimentar um pouco mais intensamente esse gênero cinematográfico, resolvi revisitá-lo em uma nova indicação nesse nosso quadro. Todos vindos dos Estados Unidos, os três títulos seguem linhas um pouco diferentes dentro do estilo, uns saboreando mais o drama, outros mais o suspense; mas todos sendo bons exemplos de uma realização que consegue cumprir com a proposta. Lançados em 2014, 2015 e 2016, os filmes a seguir irão deixá-lo preso à tela, enquanto as sequências hipnotizam com sua narrativa.


Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes), de 2015, dirigido por Billy Ray

Remake da obra-prima argentina “O Segredo de Seus Olhos”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Olhos da Justiça não alcança tão alto nível de valor; mas, deixando-se de lado as comparações, o título americano é uma boa realização por si só. Só lhe peço um favor: não deixe de ver a produção original, que infelizmente não consta do acervo do streaming.

Separado em passado e presente, a narrativa conta a história de três investigadores abalados com a trágica perda da filha de um deles. Trata-se de Jessica (Julia Roberts) no papel dessa mãe que não consegue resolver o próprio caso, tendo que viver com as angústias e o trauma do crime. Mas, após anos, quando uma reconsideração acerca da investigação é colocada, as antigas feridas começam a se reabrir, envolvendo o mesmo grupo de antes, completado por Ray (Chiwetel Ejiofor) e Claire (Nicole Kidman).

Um conto de busca por justiça, que levanta questionamentos éticos e morais, ao mesclar a licitude com o desejo por vingança, indo no limite dos principais sentimentos constituidores do ser humano: amor e ódio, em uma dança macabra na qual um é alimentado pelo outro; esse ditando o ritmo da passada daquele.

Garota Exemplar (Gone Girl), de 2014, dirigido por David Fincher

Uma garota criada para ser perfeita; um relacionamento moldado para ser perfeito; uma vida esculpida para ser perfeita. Essas são as linhas condutoras da vida de Amy Dunne (em uma performance estonteante de Rosamund Pike), que conta com a companhia de seu marido apático, e anestesiado pelo deslumbre, Nick Dunne (talvez na melhor atuação de sua carreira, por Ben Affleck). Mas todo esse marasmo proporcionado pela perfeição é abalado brutalmente quando Amy desaparece e as investigações policiais e buscas por respostas por parte de Nick assumem o foco da narrativa.

Além do possível trauma, tudo poderia correr como o esperado, a não ser o fato de que Nick não demonstra qualquer sentimento em relação a aparente perda da mulher. Os holofotes da mídia voltados para o seu caso e as descobertas da polícia dão um novo toque e leitura à falta de reação do protagonista: os vestígios do desaparecimento de Amy tendem a apontar para a autoria dele. Aquele cristal precioso e lapidado de maneira irretocável quebra, estilhaçando-se no chão, sem a possibilidade de ser recuperado. Desses fragmentos, Nick terá que encontrar caminhos que o inocentem, enquanto a verdade parece começar a emergir.

Garota Exemplar é um filme com roupagem de suspense investigativo, porém muito mais profundo do que isso. É a revelação do show de horrores escondidos pelo véu sutil da construção social, a partir da relação de um casal.

Resenha completa aqui.

O Homem nas Trevas (Don’t Breathe), de 2016, dirigido por Fede Alvarez

Embarcando em uma linha thriller de maior diálogo para o público adolescente (investindo mais na tensão e entretenimento do que aprofundando em questionamentos, apesar de também pincelar alguns assuntos), O Homem nas Trevas é o típico filme de deixar o espectador vidrado a maior parte do tempo, temeroso a cada sequência, a cada passo dado, a cada pisada em falso dos protagonistas.

Rocky (Jane Levy) e Alex (Dylan Minnette) formam, com o badboy Money (Daniel Zovatto), um grupo de delinquentes que invade casas abastadas para roubar objetos de valor. Alex parece o bom moço que só entra nesse meio para ajudar a crush Rocky (desejosa por levar embora a pequena irmã de uma vida típica de white american trash a que estão acostumadas a viver). Quando o bando recebe uma dica de que um velho cego (Stephen Lang) vive sozinho em uma casa afastada, em um bairro deserto, e que provavelmente guarda grande quantia de dinheiro, eles se preparam para aquilo que parece ser uma tarefa tão fácil quanto roubar pirulito de criança. O que eles não esperavam é que esse ex-combatente é um casca-grossa brabão.

Como em um labirinto pós-moderno de um Minotauro 100% humano, o jogo de caçador e presa tem sua lógica invertida, quando o bando é tomado de assalto pelas habilidades inesperadas do dono da casa. Em uma luta pela sobrevivência, e não mais pela ganância, os três jovens terão que ir até o limite para conseguir respirar o ar puro uma vez mais.

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