Garimpo Netflix #31: Argentina - Parte II

Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Certa vez, o ator Selton Mello disse em entrevista que a percepção que muitos de nós temos no Brasil de que o cinema de nuestros hermanos é muito melhor que o nosso é falseada pelo simples fato de só chegarem até nós suas obras-primas, escondendo péssimas produções feitas por lá. Pode até ser, mas continuo achando que a grama deles é mais verde que a nossa, ao menos quando se trata de Cinema, já que o que chega aqui, com raríssimas exceções, geralmente é bem acima da média, quando não obras geniais.

Com isso, deixamos vocês com mais 3 exemplos do que nossos vizinhos são capazes de apresentar ao mundo. Não deixem também de conferir o primeiro Garimpo Netflix Argentina clicando aqui!


– Minha obra prima (Mi obra maestra), de 2018, dirigido por Gastón Duprat

Esse filme é uma delícia, do início ao fim. Conta a história de amizade entre Renzo Nervi (Luis Brandoni), um outrora bem sucedido pintor de arte contemporânea, e Arturo Silva (Guillermo Francella), um negociante de obras de arte que tenta, a todo custo, recuperar a glória passada do amigo. A relação entre os dois trará sentimentos que flutuam entre genuína empatia, óbvio interesse financeiro, admiração eloquente, profundo ódio e amor incondicional. Um acidente transformará essa relação profundamente e lhes trará oportunidades de negócios um tanto heterodoxas.

Do mesmo diretor do também excelente “O Cidadão Ilustre“, indicado em nosso primeiro Garimpo Argentina, este filme segue à risca uma das tradições de que mais gosto no cinema argentino, a de fazer rir e emocionar com a mesma intensidade e às vezes na mesma cena, além de um cinismo marcante presente em quase todos os personagens. Vale muito sua atenção.

– Desejarás o Noivo da sua Irmã (Desearas al hombre de tu hermana), de 2017, dirigido por Diego Kaplan

O maior erro ao assistir esse filme sem maiores referências do que a simples (e sempre péssima) sinopse da Netflix é levá-lo à sério demais. Não me entenda mal, não é que o filme não leve à sério a relação dura e visceral entre as irmãs Lucia (Monica Antonopulos) e Ofélia (Carolina Ardohain), que se reencontram na festa de casamento da primeira, na casa em que cresceram juntas. Mas é que o enredo e o estilo do filme brincam o tempo todo e descaradamente com um estilo próprio de fazer cinema. Tudo é minuciosamente clichê aqui: os olhares, a trilha sonora, o figurino, os dramas grandiloquentes. Tudo exagerado e não muito crível na superfície, ao mesmo tempo que desvela uma relação bastante interessante entre as irmãs, permeado o tempo inteiro por tensões sexuais e tendo como fio condutor a mãe Carmen, numa atuação primorosa de Andrea Frigerio.

De quebra, temos um improvável personagem brasileiro que faz Cosplay de Julinho da Van e defende Pelé na cara dos portenhos. Genial.

– XXY, de 2007, dirigido por Lucia Puenzo

https://www.youtube.com/watch?v=HAcZt-DvAY8

O mais denso filme dessa lista, XXY conta a história de Alex (Inés Efron) uma adolescente que, devido a uma mutação genética, possui características de ambos os sexos. Seus pais, na esperança de proteger a filha, se mudam da Argentina para um pequeno vilarejo no Uruguai, mas a visita de um casal de amigos com seu filho acabará por expor a filha justamente às questões que eles queriam evitar.

O filme trata de temas bastante delicados de forma corajosa e direta, sem descambar para autopiedade, tão comuns em filmes com temáticas parecidas. E todos os atores principais entregam atuações dignas de nota, com destaque para Inés Efron e o sempre excelente (e onipresente) Ricardo Dárin. Uma pérola imperdível no catálogo da Netflix.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.