Garimpo Netflix #52

Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Nosso Garimpo natalino vem bastante especial. Indicamos a vocês três grandes filmes representando exemplarmente as últimas três décadas do cinema estado-unidense. Para mim, um jovem ancião na casa dos 36 anos, é uma viagem que passa pela minha infância (anos 90), juventude (anos 2000) e fase adulta (anos 2010). Qualquer amante de cinema nessa faixa etária irá reconhecer que esses filmes, se obviamente não são OS melhores de suas respectivas épocas, no mínimo as representam muito bem.

Portanto, rabanadas às mãos, fiquem com as dicas do nosso Garimpo Netflix #52!


– Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire), de 1994, dirigido por Neil Jordan

Se o nome da romancista Anne Rice não lhe é familiar, é porque provavelmente você não sabe nada sobre a lenda dos vampiros. Esses seres mitológicos de origem bem espaçada no ideário humano e tão explorados pelo cinema e pela literatura por vezes servem de referência para obras bastante patéticas (Alô, Crepúsculo!) mas em alguns momentos dão vida a obras brilhantes. Esse é o caso deste Entrevista com o Vampiro, uma obra-prima inspirada no livro homônimo da já citada autora e roteirizado pela própria. O filme inicia com um jovem e incauto repórter (Christian Slater) entrevistando um homem que afirma ser um vampiro de 200 anos de idade. O homem, Louis (Brad Pitt), conta sua história iniciada em Nova Orleans, no século XVIII, com seus primeiros encontros com o vampiro carismático e decadente Lestat (Tom Cruise). Lestat converte Louis em um exímio sugador de sangue e lhe confere a imortalidade, mas este acaba por sofrer de um tormento eterno por sua nova natureza. Os dois vampiros permanecem profunda e irremediavelmente conectados ao longo dos anos, enquanto se envolvem intimamente com outros de sua espécie, incluindo Claudia (Kirsten Dunst, maravilhosa nos seus primeiros passos como atriz), uma imortal madura no corpo de criança.

Um deleite visual icônico, Entrevista com o Vampiro possui cenas bastante perturbadoras ao mesmo tempo em que disseca a psiquê e uma espécie de código moral desses seres pertencentes ao submundo por excelência. Ouso afirmar que jamais a estética vampiresca foi tão bem utilizada como nesse filme. Antes ou depois dele.

Adicionado recentemente à plataforma Netflix, esse é sem dúvida um dos melhores exemplares do cinema noventista. Assista!

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), de 2004, dirigido por Michel Gondry

Em que pese o ótimo trabalho do diretor Michel Gondry, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é uma obra essencialmente gestada na mente brilhante e inquieta do roteirista Charlie Kaufman, responsável por histórias do quilate dos excepcionais “Quero ser John Malkovich”, “Confissões de uma Mente Perigosa” e “Adaptação”. Esse filme eleva o sarrafo de Kaufman a outro patamar e é maravilhoso sob todos os ângulos em que podemos analisá-lo. Conta a história de Joel Barish (Jim Carey) que, com o coração partido ao saber que sua namorada Clementine (Kate Winslet) passou por um procedimento para apagá-lo de sua memória, decide fazer o mesmo. No entanto, enquanto ele assiste suas memórias desaparecerem, ele percebe que ainda a ama, e pode ser tarde demais para corrigir seu erro.

Kaufman não é exatamente conhecido por terminar suas obras de uma forma consoladora. Seus temas passam por sentimentos degenerados e mensagens disfuncionais um tanto quanto mórbidas. Aqui ele jogará com vários conceitos: Esquecimento x Lembrança; Perdão x  Rancor; Perda x Retomada. Seus personagens terão sempre a chance de começarem de novo e serem gentis, sinceros e honestos um com o outro, mas para isso tendo que usar o coração e não a mente.

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças é absolutamente imperdível. Se ainda não o assistiu, faça esse favor a si mesmo(a). Não precisa nos agradecer depois…

Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea), de 2016, dirigido por Kenneth Lonergan

“Eu disse muitas coisas terríveis para você. Meu coração estava partido e eu sei que o seu também está.”

É inevitável pensar nesse filme como o trabalho mais maduro da carreira de Casey Affleck, que fez a trinca improvável ao vencer o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta de melhor ator por ele. Muito merecido. Sua atuação soa tão natural e fundamentada que se chega a esquecer que ele está atuando. Nunca de forma explosiva, ele exprime toda a raiva e tristeza fervendo sob a superfície de um homem que está verdadeiramente quebrado.

Manchester à Beira-Mar é uma viagem por todas as emoções e emboscadas cruéis da vida. Luto, perda, solidão, aceitação e a sutil arte de encontrar humor em situações difíceis. O que Kenneth Lonergan consegue trazer para um filme como esse é a capacidade de apresentar os personagens como pessoas muito reais. Um filme quieto e cru que diz muito, incrivelmente bem escrito e atuado.

Um os melhores exemplares da década que vai terminando e disponível para vocês na Netflix. Aproveitem!

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