Garimpo Amazon Prime Video: Especial Corona

O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Cá estamos em nossa primeira semana de isolamento social – ou assim deveríamos – e possível quarentena nos próximos dias. Felizmente vivemos uma época em que a globalização e a evolução do meio técnico-científico-informacional nos permite ter acesso à entretenimento em nossas casas segundo nossas necessidades e vontades. Dito isso, apresentamos aqui um belo compilado de obras dos mais diversos formatos dentro de produções cinematográficas presentes no catálogo da Amazon Prime Video. Temos para todos os gostos; séries, animes, longas originais, documentários e filmes vencedores de Oscars.

Seguem abaixo links do nosso garimpo dedicado à epidemias feito em 2018, mostrando que o MetaFictions é vanguarda, e nosso outro especial, mas da plataforma concorrente, o Garimpo Netflix: Especial Corona. E caso você tenha matado já todas essas obras, vá em nossos Garimpos e garimpe algo do seu gosto. São centenas de filmes indicados pelo pessoal da redação aqui que não faz mais nada da vida e que podem ajudar bastante pra espantar o tédio em tempos de quarentena.

Garimpo Netflix Epidemia
Garimpo Netflix: Especial Corona
Garimpo


As Golpistas (Hustlers), de 2019, dirigido por Lorene Scafaria

Nesse Oscar passado tivemos várias esnobadas da Academia, a maior parte delas, na minha humilde e fecal opinião, não foi lá tão esnobada assim. Uma delas se refere a atuação realmente muito boa de Jennifer Lopez nesse As Golpistas, mas o que se destaca é na realidade a direção e o roteiro de Lorene Scafaria, que conduz uma narrativa interessante, com um elenco muitíssimo bem interessante, para contar a história baseada em fatos de strippers novaiorquinas que davam golpes em vários homens.

Apesar de se valer daquele lugar-comum em filmes de ladrões de demonizar as pessoas que tomam uma volta e humanizar os criminosos, As Golpistas têm de diferente o fato de fazer isso de forma muito natural por meio das memórias de uma pessoa (e memórias sempre são enviesadas) e fazer da quebra dessa lógica um ponto crucial para o desdobramento da história, valendo-se disso também para fincar o pé em uma posição que mostra a força das mulheres quando unidas, de sororidade e amizade. Um filme divertido e que vai agradar mulheres feministas por causa da trama e homens chovinistas porque há mulheres seminuas nele por boa parte do tempo.

Confira a crítica na íntegra.


– Sombras da Vida (A Ghost Story), de 2017, dirigido por David Lowery

Vamos já começar com um aviso importante: Esse não é um filme para qualquer um. Estamos diante de um longa não linear e extremamente contemplativo, o que não quer dizer que seja um filme ruim, muito pelo contrário. Há aqui uma sutileza nas performances e poucas falas, que junto com uma bela fotografia e uma decisão tosca para retratar um fantasma, criam um ambiente ao mesmo tempo familiar e angustiante. O americano Yi-Fu Tuan diz que o lugar “é uma área com significado organizado”, ou seja, uma área indiferente que através de experiências que temos ganha sentimentos e que eles sempre ficarão lá fazendo parte de nossas vidas ou até a paisagem mudar. Trabalhando em cima desses conceitos na minha cabeça, David Lowery conseguiu exemplificar com perfeição como a nostalgia, a saudade, o apego e a dor funcionam vinculados à uma espaço físico.

Pego de surpreso, esse talvez tenha sido um dos melhores filmes não vistos de 2017.


O Destino de uma Nação (Darkest Hour), de 2017, dirigido por Joe Wright

Protagonizado por um dos maiores atores de sua geração, o quase irreconhecível Gary Oldman, e indicado à 6 Oscars, incluindo de Melhor Filme – vencendo 2, incluindo o de melhor ator -, somos levados por momentos-chave da carreira política e pessoal de um dos maiores ícones do séc. XX, Winston Churchill. Em um ano de filmes históricos sendo contemplados pela Academia, O Destino de uma Nação se destaca por abordar um dos períodos mais tenebrosos da história do Reino Unido: a sua luta contra a expansão nazista na 2a Guerra Mundial e, em especial, o resgate de milhares de soldados em Dunquerque, França, de um ponto de vista interno.

Focado essencialmente nos meandros políticos, monárquicos e ideais de liberdade e soberania, acompanhamos a condução conturbada dese império por um personagem que foi um dos maiores líderes da história mundial.

Confira a crítica na íntegra.


O Estrangeiro (The Foreigner), de 2017, dirigido por Martin Campbell

Em 2017 fomos positivamente surpreendidos por esse thriller político de ação estrelado por Pierce Brosnan e por Jackie Chan, que aqui mostrava que além de chutas bundas como ninguém, pode também ser um excelente ator se necessário. O Estrangeiro conta a história de Qan (Chan), um chinês radicado na Inglaterra que perde sua filha em um atentado em Londres perpetrado por um grupo separatista da Irlanda do Norte. A partir daqui, passamos a acompanhar a busca por vingança de Qan e um dos arquétipos mais divertidos dos filmes de ação: o homem que não tem nada a perder. Contudo, O Estrangeiro é bem mais do que isso, contando com um roteiro que consegue aliar as questões históricas entre Irlanda e Inglaterra com momentos realmente excelentes de ação.

Trata-se de um filme que diverte e convida à reflexão, cinema de primeira com um Jackie Chan diferente do que estamos acostumados ver, mas mostrando que consegue ser fantástico mesmo quando não se fia unicamente no seu talento marcial e na comédia.

Confira a crítica na íntegra.

– O Relatório (The Report), de 2019, dirigido por Scott Z. Burns

Após escrever roteiros excelentes como os de “O Ultimato Bourne”, “O (des)Informante” e mais recentemente “A Lavanderia”, Scott Z. Burns dirige (aém de também assinar o roteiro e a produção) deste O Relatório. Em comum, seus filmes sempre tem um fortíssimo viés político, e com O Relatório não é exceção. Trata-se de um excelente thriller político baseado em uma história real sobre a investigação de Daniel Jones quanto aos maus tratos americanos com prisioneiros depois do 11 de setembro. Se hoje nós sabemos que a CIA torturava inclementemente diversos prisioneiros, a razão disso é quase que exclusivamente esse homem, que sacrificou sua vida pessoal para seguir a obsessão que se tornou expor tudo que fora feito pela CIA.

Concorde você ou não com a tortura – e estamos em um país em que talvez isso seja mais aceito do que seria o razoável -, O Relatório não vem para denunciar a torpeza óbvia dessa prática, mas, sim, para, mais ou vez, mostrar os meandros podres, rotos e putrefatos que compõem a política de qualquer país. Quem tem o poder, afinal de contas, tem como objetivo principal se perpetuar no poder em detrimento de tudo o mais, em especial da verdade. Em um duelo de narrativas amarrado por um roteiro muito bem engendrado, uma direção segura e um elenco absurdo capitaneado pelo sempre ótimo Adam Driver (e com destaque para Annette Bening), O Relatório é, mais uma vez, uma das melhores coisas disponíveis no catálogo da Amazon e talvez seu melhor filme original até aqui.


– One Child Nation, de 2019, dirigido por Nanfu Wang e Jialing Zhang

Aproveitando que estamos em um especial por conta de uma epidemia que iniciou na China e que por lá já ceifou a vida de milhares, apresentamos aqui um documentário sobre um período histórico conturbado, que durou perto de 35 ano e deixou uma marca na sociedade chinesa, criando gerações sem irmãos. Com uma narrativa pessoal, acompanhamos Nanfu Wang investigando suas origens e o peso que ter tido um irmão trouxe para seus pais. Com um início um tanto lento, somos atropelados por desdobramentos dessa política autoritária a nível familiar, com seus tios e avós discutindo a época, a nível regional, com os agentes do governo e suas funções, e a nível nacional, com a influência de uma cultura que privilegia o homem e esquemas entre instituições que deixam um rastro gigantesco de morte.

Com o coletivo imperando sobre o indivíduo, devoção à pátria e sacrifícios pessoais inimagináveis, One Child Nation é um documentário muito pesado visual e emocionalmente, além de necessário.

– Fleabag, de 2016, 2 temporadas (2016 – 2019), criada por Phoebe Waller-Bridge

Com uma primeira temporada bem boa e uma segunda temporada nada menos do que excepcional, Fleabag é uma série sobre nenhum assunto em particular e, por isso mesmo, é sobre tudo, sobre a condição humana, sobre culpa, sobre luto, sobre sofrer, ou seja, sobre absolutamente tudo que nos faz humanos, demasiado humanos. Criada, escrita e protagonizada pelo furacão humano que é Phoebe Waller-Bridge, Fleabag narra a vida cotidiana de uma personagem cujo nome nós nunca ficamos sabendo (o mesmo valendo para o seu pai, a madrinha e um sem número de outros personagens) enquanto ela é esculachada (e esculacha) a maior parte do tempo, sendo fleabag uma gíria para uma pessoa desagradável e/ou suja, algo que cabe perfeitamente na personagem.

A 2a temporada, já com os personagens estabelecidos da primeira, se torna espetacular porque um elenco já absolutamente entrosado recebe ainda a participação mais do que especial do Padre interpretado pelo sempre excelente Andrew Scott, que vem para se juntar a Waller-Bridge e a oscarizada Olivia Collman, entre outros nomes menos conhecidos mas igualmente excelentes no ofício de atuar. Sem sacanagem, trata-se, na minha opinião, da melhor coisa que a Amazon tem em seu catálogo e é moleza de maratonar nesses dias de Corona, com um total de 12 episódios de meia hora em média.


– Vinland Saga, de 2019, dirigido por Shûhei Yabuta

Quando pensamos em animes, nossa imaginação nos leva para alguns lugares. Dentre eles, existem os mundos de fantasia, o espaço, futuros alternativos, e, o mais óbvio de todos, o próprio Japão em diversas épocas diferentes. Quando pensamos em alguma obra histórica dentro dos animes, acabamos por voltar à época dos samurais, final da era Tokugawa e início da Meiji. Mas eis que Vinland Saga nos leva para a invasão nórdica ao Reino Unido durante o século XII. Exatamente isso que você leu.

O estúdio Wit (também responsável por “Attack on Titan”) criou uma ambientação tão envolvente que você esquece que dinamarqueses e ingleses estão falando japonês. São cenas belíssimas contemplando o frio do inverno no norte do planeta, batalhas sangrentas e brutais e um jogo pelo poder que tornam Vinland um deleite para os sentidos.

Confira nosso Top 10 Animes de 2019

– Homecoming, 1 Temporda, de 2018 – , cirado por Micah Bloomberg, Eli Horowitz e Sam Esmail

Protagonizado pela talentosa Julia Roberts, acompanhamos seu trabalho num centro que recebe soldados que estão retornando de serviço no exterior e tenta ajudá-los a voltar a sua vida civil por meio de sessões de terapia e atividades reguladas. Sob a pena de estragar sua diversão, essa é uma minissérie instigante nos moldes de um thriller didático. Ela é perturbadora e enigmática, com aquela atmosfera que te faz perceber que algo não está certo, sempre com alguns detalhes e nuances um tanto fora de lugar e que causam desconforto. Por meio de uma investigação do Departamento de Defesa norte americano, vemos o véu desse centro de reabilitação caindo e revelando intenções desumanas. Sem mais pseudo-spoilers, descubra por você mesmo essa trama.


– Super Size Me 2: O Frango Nosso de Cada Dia (Super Size Me 2: Holy Chicken!), de 2019, dirigido por Morgan Spurlock

O primeiro Super Size Me foi uma agradável surpresa e um dos primeiros documentários que vi sobre a indústria alimentícia, sendo, inclusive, indicado ao Oscar. Com uma proposta inversa, de entender como as empresas de fast food poderiam vender comida saudável e honesta para seus clientes, Morgan adentra esse mundo corporativo ao abrir sua própria franquia de sanduíches de frango. Agindo dentro dos limites da lei, você será puxado por brechas legais, testemunhará descasos com a saúde humana e animal (com cenas muito fortes) e chegará a conclusão que contra as forças do capital, nós somos meros obstáculos removíveis.

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