Crítica: Eden - 1a Temporada

No momento eu estou assistindo 9 animes, sendo 7 dessa temporada de primavera (no Japão) e 2 que peguei da minha lista de animes que acompanho e estava devendo a temporada mais nova; lista essa que ainda tem 7 obras esperando para eu dar continuidade. Além desses, tenho outros 63 animes (alguns com mais de uma temporada) na minha lista de não iniciados e que conta com uma curadoria forte de sites especializados e premiações. Vou nem entrar no número dos já vistos e que podem ganhar continuidade futuramente (alguns, inclusive, com temporadas novas anunciadas). Juntando essa porra toda aí, percebi que 85% de tudo que estou vendo/quero assistir foi produzido de 2010 para cá. Confesso que fez sentido, uma vez que é sensível que há um aumento no número de produções por conta de uma distribuição mais acessível, aumentando o número de pessoas atingida. Também, como um otaku de carteirinha dos anos 90, eu praticamente devorava tudo que era lançado antes dos anos 2000 e durante um período que durou alguns anos (2004-2010… ah, faculdade…) eu não tinha tempo de assistir nada. Contudo, mesmo percebendo a indústria e ciente da minha história como consumidor dessa mídia, fiquei estarrecido ao topar com o vídeo abaixo (e pesquisar a respeito) que levantou um dado sufocante: metade dos animes já feitos na história da humanidade foram produzidos de 2010 para cá, apenas 11 anos.

E por que falo isso? Porque essa avalanche permite que animes como nosso Eden veja a luz do dia. Esse número exagerado traz uma pluralidade que permite joias autorais incríveis e adaptações fantásticas. Se eu colocar na ponta do papel, 90% dos meus animes favoritos provavelmente estarão dentro desses 11 anos, como meu favorito “Mob Psycho 100“, o bestial “DEVILMAN crybaby” e meu mais novo queridinho “Keep Your Hands off Eizouken”. Contudo, essas pérolas emergem de um mar de animes genéricos até o talo, que encontram nessas plataformas de streaming um público fiel que vai conferir seu produto com fé e esperança. Eis que cá estamos com Eden e, infelizmente, ele não está ao lado dessas 3 obra supracitadas.

Estamos em um universo batido, com personagens unidimensionais e caricatos, numa história contada e recontada inúmeras vezes e com uma qualidade técnica bem medíocre. Caso você tenha jogado “Horizon Zero Dawn” pode pular o parágrafo, pois temos uma cópia descarada de sua premissa. O mundo está indo pra vala e os seres humanos se preparam para abraçar a extinção. Contra todas as possibilidades, um cientista inicia um projeto para salvar humanos em hibernação enquanto robôs preparam o mundo para eles num futuro bem distante. Acordando nesse mundo distante surge uma garotinha que passa a ser criada por máquinas, que por sua vez aprendem sobre os seres humanos. Mas esse futuro é perigoso. A diretriz básica dessas máquinas diz que seres humanos são perigosos e precisam ser exterminados. Começa a saga de salvar a humanidade (e aquelas milhares de pessoas hibernando) e tentar mostrar para as máquinas que nós, seus criadores, podemos conduzir o futuro da Terra de forma a não repetir nossos erros.

Com apenas 4 episódios – o que me causou alívio e é responsável por um ritmo apressado – somos massacrados com uma animação dantesca que lembra cutscenes de RPG japonês de DS. É terrível e machuca a alma, mas com uma leve exceção: os robôs. Exatamente igual ao também terrível “Círculo de Fogo: The Black“, a animação 3D que não entrega vida e boas expressões cai como uma luva nesses seres mecânicos que carecem desses elementos. E mesmo quando estão sozinhos em tela, a escrita e a direção da obra são tão precárias e incoerente que fica difícil criar empatia por esses seres que não sabem o que são emoções, mas que são os seres mais emocionais da série, vide nosso vilão que quer que a humanidade não volte a dominar o planeta porque são seres perigosos e violentos, enquanto ele usa de métodos perigosos e violentos. É muita incoerência o tempo todo, tanto no universo que os cercam, como nas decisões tomadas por praticamente todos os personagens.

Eden termina e figura junto com 80% dos animes produzidos de 2010 para cá, no limbo do comum.

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