Garimpo Netflix #103: Séries-Thriller

O Garimpo é um quadro do MetaFictions no qual indicamos toda semana 3 bons títulos disponíveis nas maiores plataformas de streaming. Clique aqui para conferir os anteriores.


Reeditando garimpos passados, na temática de séries, esta semana nosso quadro se debruçará outra vez sobre esse formato que cada vez mais se torna popular. Apesar disso, manteremos um fio-condutor também no gênero de cada um dos títulos apresentados. Dessa forma, temos um Garimpo Netflix: Séries-Thriller, sendo o suspense (thriller) o gênero principal de cada uma das obras.

Vindas de regiões distintas, apresentamos ao espectador uma realização italiana, outra francesa e uma sul-coreana. Ainda que em seus estilos próprios e com focos diferenciados, todas mergulham em um universo de crime, investigação e desafios aos medos mais pessoais de cada um de seus personagens.


– Curon, de 2020, 7 episódios, dirigido por Fabio Mollo & Lyda Patitucci

Eu sempre me pego criando histórias ou fazendo questionamentos acerca da dualidade que cada indivíduo traz em si mesmo. Como se fosse possível confrontar a encarnação de dois lados de uma mesma pessoa: será que seriam como um espelho, um a imitar o outro; ou um a reproduzir o oposto daquele original? Curon, a série italiana da Netflix, envereda sobre esse caminho.

Uma família composta por mãe e um casal de filhos precisa retornar à pacata cidade de infância da matriarca. Estar lá é desafiador por uma série de traumas pessoais, mas que costumam ser dominados (ou escondidos) pela maturidade (ou mesmo pelo passar do tempo). O lugarejo, porém, não se apresenta tão convidativo quanto sugeriria o interior nortista da Itália. Mistérios inexplicáveis vão dando vazão a características obscuras de cada um de seus habitantes, quando as badaladas do sino da Igreja local fazem nascer um outro “eu”.

Curon é sobre retornos e eternos retornos, fazendo cada um se revelar a si mesmo.

– O Bosque (La forêt), de 2017, 6 episódios, dirigido por Delinda Jacobs

Um bom thriller sempre conta com crime e mistério, mas O Bosque vai um pouco além ao colocar um alto e maduro teor de drama em meio a estes elementos. Embora seja francês, ele não peca com uma das principais características da cinematografia do país: o academicismo sem sentido. A narrativa é muito direta e certeira, levando o espectador à profundidade dos segredos que permeiam o conto.

Uma menina de 16 anos desaparece no vilarejo suscitando desconfiança e medo entre os citadinos. A polícia local, com ajuda da professora da garota, investigam o cenário para onde tudo leva: o bosque. Mas o único mistério não reside tão somente neste lugar: segredos de moradores e da própria professora vão intensificando o tom misterioso que a série toma, envolvendo delicadamente o espectador ávido por saber o que esconde cada um de seus protagonistas.

Uma história silenciosa de conflitos pessoais.


– Túnel (Teoneol), de 2017, 16 episódios, dirigido por Nam Ki Hoon & Yong Hwi Shin

Entrando na mesma linha da Netflix de apresentar ao público em geral (e não permanecer em um nicho) os doramas (séries asiáticas, nesse caso sul-coreanas), trazemos o não-original mas presente no acervo do streaming, Túnel. Um thriller que, como nossa primeira indicação, envolve drama e, sobretudo, fantasia alcança uma narrativa envolvente que aprisiona o espectador em seu universo distorcido pela percepção de tempo.

Park Gwang-ho (muito bem por Choi Jin-Hyuk) é um detetive a perseguir um psicopata em série. Casado há pouco, espera o nascimento de sua filha, quando um fenômeno chacoalha todo o seu entendimento sobre as coisas: ao perseguir um suspeito, dentro de um túnel, Park é levado 30 anos para frente, fazendo-o encontrar seu mesmo ciclo de relações três décadas depois, ainda à procura do autor de crimes semelhantes que voltam a ocorrer. Seus sonhos e perspectivas presos em um passado e seu dever em proteger a sociedade jogado arbitrariamente para um futuro que se tornara seu presente são os embates mais sinceros com que o detetive Park precisará lidar. Entre perder seus amados pelo tempo que passou sem aviso ou pela ameaça de um psicopata que parece atravessar a linha do tempo, Gwang-ho deverá se reconstruir emocional e psicologicamente para saber qual caminho trilhar.

Um thriller sensível, dramático e cheio de suspense, que consegue atropelar seu espectador com a força de cada um de seus personagens.

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