Ser mulher é cansativo. Quanto mais cortarmos tudo aquilo que romantiza o quão belo é sê-lo, melhor é. É cansativo por que vai além do próprio cansaço de ser, por fim. Não há um dia sequer que eu não encare alguma atitude machista, qualquer grau que ela seja. Meu aluno, alienado, reproduz machismo; vou lá e desmonto. Minha mãe, às vezes antiquada, reproduz; vou lá e tento. Desconhecidos, sem mais nem menos, invadem minha privacidade nas ruas, num assédio que já virou banal pra tantas mulheres assim como eu. Alguns amigos, alguns casos, propagandas, conhecidos, arte. Eu mesma me autoflagelo por vezes com cobranças baseadas em papéis impostos para mulheres. É infeliz mas é verdade e não, não estou querendo fazer drama. Nós, mulheres, carregamos uma pressão invisível que cá ou lá pode nos fazer chorar por revolta ou mandar pra puta que pariu o mundo todo. E não é à toa. É cansativo, acreditem em mim.

Nos momentos de total angústia, nos quais parecemos estar perto de desistir de reerguer a cabeça, frente à ressonância de tantos discursos te dizendo estar errada, estar exagerando, estar maluca, estar inventando, estar viajando (e por aí vai e isso tem até nome – gaslighting), no fundo no fundo só queremos uma coisa: ser ouvidas. Sem revirar de olhos ou expectativas de que lá vem bomba. Sem diminuir-nos, invalidar-nos, encher de duvidas e dedos ou coisa do tipo. Ser ouvida e genuinamente ser entendida basta. E onde, afinal, procuraremos esse conforto?

A minha resposta é quase sempre eficaz: nos braços de outras mulheres. Seja no literal abraço de uma amiga a quem você conta esses pequenos machucados diários e te diz “eu dou importância para isso também” ou, por que não, na mesma sociedade que te cospe. Afinal, felizmente ainda há esperança e a Arte, por mais falha que já tenha sido (e até onde não tinha opção que não o ser?) te presenteia com curativos em forma de filme. Ano passado fiz uma lista de personagens fortes do cinema, onde cito clássicos do cinema – caso você sinta que faltou algum na deste ano, talvez esteja na anterior. Caso não esteja em nenhuma das listas, é só comentar!

Dessa vez, a proposta é ainda focar em personagens fortes e que transcendem o próprio filme, tornando-se verdadeiras inspirações enquanto mulheres. Seguindo essa linha, gostaria de deixar menção honrosa à alguns títulos que deixei de fora mas que também são reenergizantes para nós. Mulher-Maravilha, na atualizada versão de 2017 que mostra um caráter emancipatório cada vez maior, contanto com a maravilhosa Gal GadotPantera Negra, uma agradável surpresa vinda do filme que não só inclui mulheres fortes, tratando da questão de gênero, como também inclui mulheres negras poderosas, contemplando também a questão racial, através das fantásticas Nakia (Lupita Nyong’o), Okoye (Danai Gurira), Shuri (Letitia Wright) e Ramonda (Angela Bassett). 

Sem maiores delongas, hoje trago uma lista de filmes inspiradores que servem como um abraço que me diz que vai ficar tudo bem e, por que não, que me diz que eu sou FODA!

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