Nise: O Coração da Loucura, de 2015, dirigido por Roberto Berliner

Seguindo a linha de mulheres a frente de seu tempo, Nise da Silveira (Glória Pires) é um dos mais importantes nomes da psiquiatria brasileira, sendo pioneira da vertente de Carl Jung, de quem foi aluna e mantinha contato através de cartas. Inconformada com o sucateamento humano diante de transtornos psiquiátricos, à época sob sombra da ignorância e brutalidade, a médica introduziu à vida dos pacientes tratamentos humanizados que os colocavam como pessoas, pra início de tudo.

Através da arte, do contato com animais, da conversa e do acolhimento seguro, Nise beneficiou o tratamento de pacientes que eram vistos como irreversíveis e não-funcionais na malha social, trazendo à superfície verdadeiros artistas e provando que o diferente não é sinônimo de inferior. Para isso teve que enfrentar uma área majoritariamente masculina em plena década de 50-60 no Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, mas nem por isso deixou seu maior objetivo de lado: revolucionar a psiquiatria brasileira. Irreverente e lutadora, Nise é de inspirar qualquer um.
(O filme está disponível aqui na Netflix.)


A Guera dos Sexos (Battle of the Sexes), de 2017, dirigido por Jonathan DaytonValerie Faris

No filme é posto no holofote todo o discurso nojento que enquadra feministas como peludas, odiadoras de homens, agressivas e histéricas. No entanto, indo contra e também sendo à frente de seu tempo, a jogadora de tênis Billie Jean King (Emma Stone) se posiciona dentro de um campo, literalmente, que é dominado (mas que supresa…) pela presença masculina e bastante arisco para com a feminina. Sendo a melhor jogadora na categoria feminina, Billie propõe igualdade no pagamento nas partidas entre homens e mulheres – afinal, o que justifica uma jogadora receber 8 vezes MENOS do que um jogador? E, é claro, uma sequência de desculpas – desde as biológicas até às lavadas que se voltam pro entretenimento – são postas na mesa, maquiando a verdadeira razão que é o bom e velho machismo.

Determinada, Billie cria uma liga feminina e aceita a “partida do milênio” que viria a ser proposta pelo autointitulado “porco chauvinista” Bobby Riggs (Steve Carell), o suprassumo do macho-alfa-sexista. Sempre elegante, Billie Jean luta a favor das mulheres sem entregar os pontos, resistindo à provocações dignas de xingamento em nome da conservação do movimento feminista, já em muito rebaixado e sujo por estereótipos sem fundamento. Que mulherzão da porra! 

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