Malala, de 2015, dirigido por Davis Guggenheim

Entre a placidez ensurdecedora do silêncio e a libertação arriscada de se posicionar, a paquistanesa Malala escolheu a segunda opção. E, com apenas 17 anos de idade, levou um tiro na cabeça ao sugerir que meninas deviam estudar também. Isso já é chocante o suficiente para voltarmos a atenção a essa história. No entanto, ela poderia – e eu que não julgaria – ir pelo ralo e se afundar em Síndrome Pós-traumática, com o produto final de nunca mais ousar contradizer os homens no poder de seu país.

Parafraseando o ilustre Oscar Wilde, as ideias que não são perigosas não merecem ser tidas como ideias. E a ideia da garota era válida na mesma proporção que perigosa. Malala tornou seu trauma em uma lição e, mais que tudo, em um motor que direciona mulheres à serem firmes e exigirem direitos acima de qualquer risco. A simples conclusão, ainda não muito óbvia para a sociedade oriental, de que mulheres são merecedoras de oportunidades iguais às ofertadas aos homens é o suficiente para justificar sua luta.
(O filme está disponível aqui na Netflix)


Tomates Verdes e Fritos (Fried Green Tomatoes), de 1991, dirigido por Jon Avnet

Eu literalmente perdi as contas de quantas vezes assisti a esse filme. Quando eu era criança minha avó comprou um aparelho de DVD e esse era um dos poucos filmes que ela tinha, além do fato de ela amá-lo… logo víamos com muita frequência. É claro que a memória afetiva me influenciou a colocá-lo na lista, afinal não é nenhuma referência aclamada pela crítica, apesar de indicado aos Oscars de roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante para Jessica Tandy. No entanto, apesar de a primeira vista parecer um filme “ok”, ele fala sobre sororidade e empoderamento do início ao fim.

Uma das personagens principais, dentre as muitas figuras femininas que o filme mostra, Evelyn (Kathy Bates), vai a um asilo e ouve as histórias da juventude da fofíssima Ninny (Jessica Tandy), uma velhinha solitária mas cheia de personalidade. Através do incentivo que essas histórias lhe trazem, das lições de vida, da total admiração a mulher de meia idade, que é presa num casamento decadente, resolve se libertar de sua vida monótona e já sem sentido. Um lindo retrato de como mulheres são capazes de levantar outras mulheres mais do ninguém.

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