O luto é, talvez, uma das mais inatingíveis descrições. A arte, biologia e psicologia nos dão algumas explicações ou demonstrações. No entanto, aqui o racionalismo não cabe. Resta-nos a arte como mais íntima para tal aproximação.

O novo filme de Pablo Larraín, “Jackie”, nada dentro do luto da ex-primeira dama do presidente John Kennedy (Caspar Phillipson), assassinado no ano de 1963 enquanto estava no carro ao seu lado. O filme, eu diria, mais boia do que mergulha. Inicialmente acreditei numa proposta compassada com a História – é claro que procuraria por ela -, mas com o decorrer da trama vimos que o recorte temporal não é o cerne da narrativa em termos políticos: o foco é o luto. E como essa sombra se posiciona banalmente ainda que sobre uma figura pública como Jackie Kennedy (Natalie Portman). Ok, tudo bem, pode dar certo. Sigamos.

Natalie Portman. Dona de um dos sorrisos mais encantadores que vi nas últimas décadas e capaz de me hipnotizar a ver qualquer filme do qual participe. Eis um dos motivos que me levou assistir “Jackie” até o fim: a estupenda atuação, apesar do roteiro não muito convidativo, da atriz por quem me apaixono a cada nova produção. Numa das utopias que alimento em mim, esse mulherão da porra lê a crítica de uma Zé ninguém carioca na qual acidentalmente deixei meu número e vivemos, assim, felizes para sempre.

Falo sério.

Portman sustenta o longa com os trejeitos, tom de voz, elegância e serenidade característicos para o papel. Foge da esperada figura de marionete primeira-dama, atua perfeitamente como a Jackie da vida real. Contudo, platonices à parte, o resultado geral do filme é ingrato. A película deixa a desejar em sua única proposta: aproximar o telespectador do luto e comovê-lo. Aproxima-nos, mas não comove. E há momentos bastante parados. Incontáveis foram as vezes que tive vontade de pausar a exibição e olhar meu celular durante essas quase uma hora e quarenta. Uma pena, pois a ideia de escalpelar o estrelismo da família Kennedy e mostrar facetas tão humanas como as daqueles que sofrem uma perda soa bonita. Isolação, incerteza, medo e tristeza; todos assim sentem. Em suma, a atuação de Portman é responsável pelo filme ser de mediano para bom e não um miserável fracasso. Fora isso, não assista caso tenha: expectativas, sono ou outro filme pra ver.

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