Lembro bem da forma que saí do cinema após assistir “Ponte para Terabítia”. As lágrimas caíam aos montes de meus olhos e sentia uma inconsolável melancolia alegre. Me recordo de forma ainda mais nítida de meu primeiro contato com “O Labirinto do Fauno”, obra prima de Guilhermo Del Toro. Foi num cinema de Búzios, eu passava apressado quando olhei de relance a entrada do estabelecimento, meus olhos aterrissaram instintivamente no primeiro cartaz, onde o fauno estava representado. Aquela imagem me atormentou por noites e noites, fantasiava mais e mais com a aquele pôster, o que me causou uma série de madrugadas perdidas. Muito tempo depois, tomei coragem e assisti o filme. Fiquei maravilhado e até hoje a obra do cineasta mexicano figura entre uma das mais importantes de minha juventude.

Quando os créditos de “7 minutos depois da meia noite” rolaram não senti medo, deslumbramento, melancolia alegre ou nada. Assim como “Ponte para Terabítia” e “Labirinto do Fauno”, a película se apoia na fórmula de fuga da realidade dura e cruel por meio da fantasia imaginativa. Os paralelos entre esses três filmes citados acima, são muitos, mas em nenhum deles, o dirigido por Bayona, se destaca dos demais. Não é o pioneiro, não é o mais sensível, inventivo ou bem dirigido. Para os mais novos é pesado demais e para os mais velhos é um enorme dejà vu.

A premissa do filme, inspirado no livro homônimo, é boa, um menino que sofre bullying na escola, tem a mãe doente e o pai ausente. Em meio a esse turbilhão de agonia recebe a visita de um monstro árvore que deseja lhe contar três histórias, em troca o garoto que é velho demais para ser criança e jovem demais para ser adulto deve contar ao monstro a história de um pesadelo recorrente em suas noites.

Todo o sofrimento pelo qual o protagonista passa é demasiado exagerado e afetado. Sobram momentos dramalhões, que tentam a todo custo arrancar lágrimas do espectador. Com uma fotografia escura, cenários pesados e uma câmera semi morta, Bayona arrasta sua obra para uma angústia tão triste quanto artificial. São poucas as cenas sinceras em “7 minutos depois da meia noite”. O que contribui muito para isso é a desastrosa atuação do ator de 14 anos, Lewis MacDougall. Em nenhum momento fui capaz de acreditar na emoção que ele passava.

Tentando de todas as maneiras se diferenciar pelo clima sombrio e realista, a película se esquece de entregar um surrealismo mais criativo. O monstro árvore é de um design preguiçoso, muito aquém do fauno que me deixou anos sem dormir. Não a nada de memorável ali, nem o vozeirão de Liam Neeson torna a criatura mais marcante.

De longe o aspecto mais pungente da obra são as histórias que o monstro conta para o menino. Todas em uma bela animação aquarela, possuem uma beleza triste e atraente que o resto do filme não consegue ter.

O que tanto me impressionou e me deslumbrou em Labirinto do Fauno e Ponte para Terabítia foi a capacidade deles me emocionarem sem fazer muito esforço. A tragédia era natural, pontual e atingia em cheio. Pelo visto, Bayona não assistiu nenhum dos dois filmes para entender que a dor na tela grande depende da naturalidade tanto do diretor, quanto de seus atores. Além disso recomendo a ele um curso intensivo com Del Toro para aprender a fazer monstros minimamente criativos, porque uma árvore bípede não maravilha nem os infantes de primeira viagem. Nesse sentido “7 minutos depois da meia noite”  serve apenas para arrancar lagrimas daqueles que se deixam levar por um melodrama afetado e pouco criativo.

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