Do início ao fim, “À Espera” (L’attesa) é um filme penoso. Cadência, imagens, atuações e referências religiosas tornam a estréia  de Piero Messina na direção, ex assistente de direção de Paolo Sorrentino, uma experiência árdua, angustiante, instigante e paradoxalmente entediante.

A trama começa com um momento de profunda dor e luto, Anna (Julliete Binoche) é surpreendida em meio a todo sofrimento pela namorada francesa de seu filho, que fora convidada por ele para passar os festejos de páscoa no casarão da família na Sicília. As duas ocultam segredos e angústias e aguardam o retorno do namorado/filho enquanto desenvolvem uma relação no mínimo peculiar.

Se a sinopse da trama já é inusitada, seu desenvolvimento é simplesmente bizarro. Uma estética fria e densa, fotografia pesada, cenografia sombria, tudo em “À Espera” causa estranhamento e até terror no espectador. Uma tensão enorme em cada diálogo entre sogra e nora. Referências religiosas jogadas aos montes e ao vento. Nunca se enxerga a necessidade e o motivo de tanto sofrimento visual e narrativo.

Parte da bizarrice se deve a Julliete Binoche que entrega uma interpretação que oscila entre o protocolar e momentos que remetem a seus melhores instantes em “A Liberdade É Azul”. Essa alternância gera um profundo estranhamento. O resto do elenco é opaco e não possui espaço para desenvolvimento. Verdade seja dita, a construção de personagem é amplamente negligenciada, tornando tudo mais distante e, novamente, estranho.

Flertando com suspense, drama psicológico, mistério  e terror, Piero Messina não se decide por nada e minha impressão é que perdi uma parte do filme… um clímax… alguma coisa.. Da mesma forma que os protagonistas, o espectador fica à espera de algo que irrompa a espessa e profunda tensão psicológica da obra, mas nada chega.

Apesar disso é um trabalho que faz pensar, seduz e instiga a mente, após o fade out obstina a audiência a procurar uma peça perdida em meio às imagens religiosas sem nexo e os diálogos confusos. Sem dúvida não é um filme para todos, em muitos momentos não faz nenhum sentido e provoca o espectador sem nenhuma necessidade de provocá-lo, além de causar uma sonolência fúnebre. Entretanto, para aqueles que estejam mais interessados em procurar sentido do que esperar por um, vale a pena comprar o ingresso mesmo que no meio a experiência se converta  em cochilo no ar condicionado.

 

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