Imagine um hamster idoso caminhando na sua monótona rodinha dentro da caixinha por longuíssimos minutos. Horas, por fim. Ele carrega apatia e um olhar blasé. Você sente o vazio existencial vindo do animal velhinho? Sente toda falta de sentido e incapacidade de chegar a algum lugar e conclusão? Boceja ao imaginar uma cena sem tempero que nem essa? Você já quer ir dormir, inclusive?

“A Garota Desconhecida” traz esse infeliz efeito entediante e previsível. Um hamsterzinho afrancesado que não sai do lugar apesar dos mil passos.

Jenny (Adèle Haenel) é uma médica que vende a batida ideologia de que é imprescindível o afastamento emocional na área em que trabalha – a dita manutenção do estrito “profissionalismo”. Até que bebe do próprio remédio quando uma moça aparece em sua porta e ela, burocrática, quadradinha, não a atende pelo horário de funcionamento do consultório já ter passado. No dia seguinte, vem a notícia da morte da garota e, com isso, a culpa assola a cabeça da médica. Num gesto de quem procura redenção, a doutora sai a procura da identidade da garota para de alguma forma se acertar com Deus. E é aí que o filme foca, nessa busca por um nome pra escrever no túmulo da guria.

O resumo da história dá brecha para que esperanças sejam criadas, pois a sinopse parece ter potencial e desperta interesse. Contudo, a produção falha miseravelmente e se arrasta. Definitivamente, o descompasso do filme é o que lhe afunda. Fora a extrema distância francesa, que, apesar da franqueza sentimental, paradoxalmente mantêm uma frieza, uma falta de tato social. Parece-me contraditório uma trama que é motorizada pela culpa da médica em não ter sido sensível se mostrar tão superficial e vazia. E sem ritmo. MUITO. Incontáveis vezes chequei o horário e até sono tive.

Image result for unknown girl movie

É o filme todo a mema cara. Uma intensa economia de expressões faciais por parte dela. Kristen Stewart da cidade luz. Blerg.

Em termos de fotografia, deixa a desejar também e eu diria até que algumas cenas são filmadas nas coxas, bastante desleixadas. Notei alguns momentos em desfoque quando nada indicava que isso era proposital ou necessário. Além disso, o filme é silencioso, o que não faz nada que não torná-lo pior; eu entendo propostas sem som, mas nesse caso saiu pela culatra e só deu ainda mais destaque pra grande porcaria que se forma no desenrolar dos atos.

O final é o clímax dessa essência esquisita de falar de sentimentos sem conduzir muita emoção no roteiro. E, quando há uma tentativa de mexer com o telespectador, revela-se como um fraco gatilho de emoções, visto que durante toda a trama elas foram mantidas no raso. O filme não me despertou empatia, alívio, nadinha. Esquisito, meus caros. Muitíssimo esquisito.

Ermo, ordinário e chato. Chato pra caralho.

 

Sugestões para você: