Meu nome é Marcos Almeida, tenho 40 anos e sou de São Paulo. Sou formado em gestão de RH e hoje trabalho na área da aviação. Quando jovem conheci os armênios ao arrumar um emprego com uma família armênia em sua loja de sapatos. Os armênios, entre várias especialidades de profissão se destacam na arte de fazer sapatos, tanto que algumas lojas grandes de sapatos na cidade de são Paulo, por exemplo, pertencem às famílias armênias.

Em 2015 tive a oportunidade de conhecer a Armênia, fiquei por 15 dias na capital Yerevan (ou Erevã em português) e tive a oportunidade também de conhecer várias outras cidades importantes como Tatev, Garni Gegharg, Dilijan, Sevan, Etchiadizin, Zvartnots, entre outras. Foi logo após essa viagem que eu comecei meu curso da língua armênia no SAMA, o Clube Armênio de São Paulo, e vim a participar de vários eventos dentro da comunidade, mergulhando de cara nessa cultura fascinante.

Foi por causa disso, por causa dessa minha imersão na cultura armênia, que o pessoal aqui do site me pediu para escrever essas palavras sobre A Promessa, em especial porque essa comunidade armênia do Brasil migrou, na sua maioria, da região de Marach, na atual Turquia, de modo que a trama do filme se torna ainda mais relevante para os armênios no Brasil.

Assisti ao filme em sua pré-estreia e, mesmo já sabendo do evento histórico, eu me emocionei com o longa, que conseguiu me passar ainda que uma fração do sentimento que os armênios têm quanto ao genocídio, um dos piores acontecimentos ocorridos no século 20.

O filme, mesmo tendo atores estrangeiros e apenas uma de origem armênia em seu elenco principal (Angela Sarafyan, de Westworld), foi muito fiel à História no que se refere aos horrores do genocídio armênio e às atrocidades cometidas pelos otomanos, mostrando o sofrimento, as injustiças e o maior dos sentimentos que vejo em todos armênios que conheço e na própria armênia onde estive: a união familiar.

Em 2017 completou-se 102 anos do genocídio armênio. Crime cuja existência a Turquia, à época ainda Império Otomano, ainda insiste em negar, que dirá assumir sua culpa no ocorrido. E é exatamente essa injustiça histórica, esta ferida aberta nos sentimentos de todos os armêmios e seus descendentes no mundo, que o filme, dirigido por Terry George, vem para reparar.

Baseado em fatos reais, o filme retrata a primeira grande atrocidade do século 20, acompanhando a ida de um jornalista americano à Turquia (Christian Bale), com sua namorada francesa de origem armênia (Charlotte Le Bon), em 1915 para cobrir os acontecimentos sobre a primeira guerra e a proximidade dos alemães com os turcos otomanos. Ao mesmo tempo, o jovem de origem armênia Mikael (Oscar Isaac) se muda do interior com destino à capital da Turquia para estudar medicina e os três acabam por viver um triângulo amoroso.

Neste momento histórico que coincide com o final do império otomano, a população armênia começa a ser perseguida e massacrada pelos soldados do Sultão Tallat Paxa. Os relacionamentos se desenvolvem tendo como pano de fundo as injustiças e atrocidades cometidas contra o povo armênio e é nesse clima que o jovem Mikael, tenta salvar a si e a sua família do genocídio, tendo a ajuda do casal e de outros cidadãos turcos que jamais viram armênios como uma ameaça, porém, acontecimentos mudam o curso de suas vidas para sempre.

Com um final surpreendente, o filme mostra os acontecimentos baseados em histórias reais sobre todas as atrocidades – como o afogamento em massa e a marcha da morte com destino ao deserto de Deir ez-Zor – cometidas antes e durante o êxodo de mais de um milhão e meio de armênios da Turquia, povo este oriundo da península da Anatólia, com mais de quatro mil anos de história, que sofreu inúmeras invasões e a maior diáspora dos tempos modernos.

“Quem fala, ainda hoje, sobre o extermínio dos armênios?”.

Num discurso, para tranquilizar seus oficiais sobre as consequências da invasão da Polônia proferido poucos dias antes, em 22 de Agosto de 1939, Adolf Hitler declarou:

“Quem fala, ainda hoje, sobre o extermínio dos armênios?”.

E é exatamente para que essa fala de Hitler não se torne uma verdade que se presta a obra de Terry George.

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