“Além da Ilusão” estava em cartaz no Festival do Rio de 2016 e, depois que li que contava com Nataliae Portman e todo um clima alternativozinho, foi pra minha lista dos que gostaria de assistir. Infelizmente não pude ir a sessão disponível à época – acho que era um horário que eu trabalhava ou era longe -, porém o filme ficou no meu imaginário e também continuou na minha lista de filmes para assistir. Surpreendentemente, o longa de Rebecca Zlotowski veio para o Brasil e tive agora outra chance de desvendar sua misticidade.

A premissa é interessante: mediunidade na França da década de 30. Laura (Natalie Portman) e Kate (Lily-Rose Depp – isso aí, filha de Johnny Depp!), conhecidas como as irmãs Barlow, realizam sessões espirituais como forma de ganhar uma grana. Durante um desses espetáculos André (Emmanuel Salinger), que se revela um produtor no ramo cinematográfico, fica intrigado com o sobrenatural e incorpora as duas em sua vida. A partir disso, a história segue um rumo nada linear: temos Laura se tornando uma atriz (metalinguagem 1); temos André querendo fazer um filme e mostrar ao público os espíritos todos (metalinguagem 2); e temos, ao longo de 105 minutos, uma narrativa que não tem muito propósito. O filme deixou em mim uma azeda sensação de que estava faltando alguma coisa ali.

Apesar de meu desgosto pela produção, devo ressaltar a já esperada belíssima atuação de Portman, que me fez continuar na sala de cinema sem muita insistência. Ela faz uma mulher bem resolvida, independente, delicada e que cria a irmã sozinha através de um show paranormal. E ela fala francês muito bonitinho, caio de amores mesmo. Lily-Rose me deixa em dúvida se a sua atuação era sem sal ou se a personagem é irritantemente vazia. Vale citar, à título de curiosidade, que o personagem de Emmanuel Salinger foi inspirado fortemente em Bernard Natan, aclamado diretor de cinema da década de 30 na França. Bernard era judeu e foi exterminado em um campo de concentração nazista com o início da 2ª guerra e o filme faz menção à perseguição judia pré-holocausto no personagem de Salinger, também judeu.

O sorriso mais lindo de Hollywood, puta merda!

No mais, temos todo um ar hedonista francês, aquela coisa forçada pra transformar qualquer pio em arte e glamourização de cenas orgânicas. O produto final é um típico filme com ar de cult em que não muito acontece (o que não é um problema) e que, por fim, não te traz muito significado (o que é um problema). A diretora falha no desenvolvimento de uma história que dava um bom caldo por abordar elementos interessantes como a paranormalidade, o Cinema em seu estágio inicial, um recorte histórico bacana e um bom elenco. Entretanto, há a acomodada opção de permanecer na zona de conforto de uma narrativa lenta, pseudocult e, perdoem o pobre adjetivo, chata. “Além da Ilusão” é um filme que irritantemente tatua uma interrogação na minha testa e coça no meu ouvido um perturbador  “pra que isso?”.

 

 

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