A franquia Alien está perto de completar 40 anos. Nessas 4 décadas muitas perguntas surgiram com cada filme que era lançado. Em especial 2 filmes aguçaram muito a imaginação popular: Alien, o 8º Passageiro e Prometheus.

O 1º filme da franquia mostra nitidamente uma nave não humana, em um universo no qual acreditamos estar sozinhos intelectualmente ou, no mínimo, ainda por descobrirmos vida inteligente em outro planeta. Na parte de dentro desta nave eles encontram um ser gigante, aparentemente humanoide, com o peito explodido de dentro para fora. Desse ponto em diante esses seres nunca mais serão mencionados ou discutidos, deixando-nos curiosos da origem e a relação deles com algo mais que foi encontrando dentro da nave, ovos com um bicho dentro, o famigerado facehugger, que deposita um embrião em um hospedeiro que dará origem ao xenomorfo icônico da franquia com o famoso chestburst.

Alien, o 8o Passageiro.

Durante todo o Alien, o 8º Passageiro a luta dos tripulantes se dá para sobreviver à espécie de alien que provavelmente levou a óbito o ser humanoide gigante da nave. Não há questionamentos sobre quem são, o que faziam ali ou de onde vieram. Os 3 filmes na sequência não abordam o que seria a maior descoberta da história da humanidade: vida inteligente fora da Terra. No entanto, passaram a não incomodar conforme víamos mais xenomorfos chacinando humanos.

Eis que chega Prometheus, retorno de Ridley Scott à franquia, com promessas de explicar as origens do Alien finalmente. Infelizmente o filme não respondeu questões centrais, embora tenha apontado para caminhos interessantes. Descobrimos, assim achamos, que aquele ser humanoide na nave do filme do 1º Alien é de uma espécie que criou a humanidade (e são denominados de Engenheiros) e, também, criou uma arma biológica poderosa para destruir a humanidade, que se mistura ao DNA de quem entra em contato e gera um ser mutante altamente agressivo com caraterísticas de seu hospedeiro, um xenomorfo. Saber disso foi um alento para a nossa curiosidade, mas, ainda assim, o xenomorfo que emerge no final de Prometheus não é aquele que conhecemos e que possui um ciclo próprio de vida com a Alien Rainha. Perguntas sem respostas ficam no ar.

Xenomorfo anoréxico.

Por que fomos criados? Por que queriam nos exterminar? Onde estão os Engenheiros? Quem eles são? David (Michael Fassbender), um sintético, e Elizabeth (Noomi Rapace), a cientista responsável em encontrar o planeta dos nossos criadores (mas que na verdade era uma instalação militar abandonada), partem em uma nave alienígena – exatamente igual àquela do primeiro filme na qual estava o humanoide-gigante-peitoexplodido, para obter suas (e nossas) respostas.

A Fox lançou um prólogo que entregou que o filme Alien: Covenant se passaria no planeta dos Engenheiros, mostrando milhares a distância. FINALMENTE teríamos respostas. Será?

O longa começa com uma cena que dita o que ocorrerá durante todo o filme: diálogos bostas e buscando significado profundo entre criador e criatura, deus e o homem.

Somos apresentados à nave colonizadora Covenant, que logo passa por problemas técnicos na viagem e a sua tripulação é acordada do hipersono para responder a emergência. Depois de certo tempo, eles se deparam com 2 escolhas de destino da nave e seus mais de 2 mil colonos ainda dormindo e outros tantos embriões. Ou ir para o planeta que foi previamente escolhido para a missão, em uma viagem de 7 anos com a nave numa situação precária, ou ir para um planeta mais perto, com semanas de viagem, e verificar um sinal que continha voz e aparência humana.

Após a escolha, eles chegam ao planeta dos trailers que assolaram a internet no último mês e o planeta que vivia apenas em nossa imaginação nos últimos 40 anos: a terra dos Engenheiros.

Maracanã dos Engenheiros.

Não entrarei nos meandros do longa ou como as coisas acontecem, mas não se anime muito. Ridley Scott realiza uma cagada sem precedentes na história da franquia e nos trata como imbecis.

Eu não sei você, mas eu já vi inúmeros filmes de exploração interplanetária, alguns mais toscos e outros bem precisos cientificamente (como Perdido em Marte). Sou formado em geografia e costumo ler e assistir a muitos documentários. Certamente não iria desembarcar em um mundo alienígena sem vestimenta adequada, não cutucaria nenhuma planta, não pisaria em nada além do solo/rocha e, muito menos, botaria minha cara a 15cm de qualquer coisa que não fosse meu próprio capacete pressurizado. Isso tudo porque eu não tenho treinamento militar e espacial.

Nossos amigos colonizadores fazem tudo o que eu não faria e se desesperam com facilidade, levando-os a péssimas escolhas em momentos críticos. Sem contar que os personagens possuem carisma ZERO, você absolutamente não liga para nenhum. Mal lembro do rostos dos personagens além dos atores mais badalados, coisa que não é costumeiro na franquia. O que diria Hudson, interpretado em níveis excelente de canastrice por Bill Paxton em Aliens, O Resgate?

Ah, sim!

“Game Over, man! Game over!”

James Franco?!

Obviamente que o longa vai se desenrolar nessa sucessão de péssimas escolhas que resultarão em alguns outbreaks de aliens em momentos distintos do filme, tirando o crescente da narrativa que resultaria em um clímax que nunca chega. Baixas vão ocorrendo na tripulação até que, previsivelmente, alguém consegue salvar o dia.

Cenas marcantes são refeitas e causam aquela nostalgia, mas nada que consiga diminuir o vazio que a película causa. Uma sensação que esse é um filme desperdiçado. Não temos aprofundamento dos engenheiros, mesmo estando no planeta deles (ou uma colônia talvez, não sabemos) e o mais grave, a origem do xenomorfo, ícone da franquia, fica muito nebulosa, necessitando seriamente de uma sequência… mais uma.

Guilherrmo del Toro?!

Se algo pode ser salvo dessa experiência é o design do Neomorph, espécie que nasce de um backburst e que é resultado da contaminação direta pelo o agente principal da arma biológica que vemos em Prometheus. A violência das mortes também é chocante e bem-vinda.

Vale a pena ver o filme? Como fã da franquia (leia-se os 2 primeiros filmes) eu digo que sim, vale. Embora você vá sair frustrado e se sentindo confuso, a experiência te proporcionará alguns momentos de nostalgia… e só.

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