Olá, meus queridos! Mais uma vez sou convocado pela diretoria do Metafictions, da qual faço parte, para convencê-los a assistir mais uma obra fundamental do cinema. Já deu para perceber que estamos criando um perfil… sempre que você pousar seus olhos no meu nome em artigos, quase que invariavelmente no Nostalgia e Assista!, provavelmente estará relacionado aos anos 80 e/ou filmes de aliens/ficção científica, assim como ler Gustavo David (editor) já te remete ao babaquinha que viveu na França e escreve sobre filmes que ninguém viu (como os belos filmes que ele indica no quadro Garimpo).

Falando nele, ao pegar jornal na sua casa para meus cachorros usarem como privada, comentei a minha vontade de fazer esse Assista! de hoje de Aliens, o Resgate, quando fui prontamente indagado se essa seria a última vez que um filme da franquia apareceria nesse quadro. Sabe quando alguém te pergunta algo, mas não para saber a resposta e, sim, para saber se você entende do que está falando? Esse é o nosso editor-chefe utilizando de suas técnicas da arte do direito.

De fato, ele tem um ponto. Alien 3, Alien a Ressurreição, os filmes com os predadores e o prequel são películas que variam do muito ruim ao mediano… (embora eu goste de alguns aspectos do Alien 3), não cabendo realmente nesse belo quadro. Enfim… espere um especial sobre o Alien na semana que chegar ao ar o mais novo filme da franquia, onde aproveitarei para me aprofundar nos demais.

Facehugger. Imagem de uma loja de brinquedo. A questão é: De quais maneiras podemos brincar com isso? hummmm…

Como dito na indicação do Alien, o 8º Passageiro, há quem considere a sequência melhor (quebrando o paradigma que sequencias são sempre piores). Bem, considerando a academia, o 2º filme foi mais reconhecido, recebendo 7 indicações ao Oscar e vencendo 2 (Efeitos Visuais e Edição de Som), enquanto o 1º filme recebeu apenas 2 indicações. Além de ser mais premiado, o filme se aprofunda na mitologia desse universo, abrindo grandes possibilidades (aproveitadas nas décadas seguintes) e firmando certos personagens no imaginário de todo geek do planeta.

Na minha memória, Aliens, o Resgate, ocupa um lugar muito especial como dito na 1ª indicação (gostaria de pedir desculpas aos deuses do cinema, deixei de fora um outro clássico que me fez cagar nas calças quando guri, O Enigma de Outro Mundo) e talvez seja o filme que mais me marcou na vida.

Vale mencionar James Cameron, que se consolidou como um grande diretor de ação ao transformar o tom dessa franquia. Infelizmente ele é muito mais lembrado pelo premiadíssimo Titanic (1997) e pelos efeitos visuais e caralhada de dinheiro feito pelo Avatar (2009). Franquias clássicas que passaram por suas mãos como, Exterminador do Futuro (1984 e 1991), Rambo II (1985), O Segredo do Abismo (1989), creditado como diretor e/ou roteirista, parecem aquelas música antigas que você lembra, gosta, te traz boas lembranças, mas você não sabe bem quem canta.

O longa começa com Ripley (Sigourney Weaver) sendo resgatada após 57 anos à deriva no espaço. Após ser interrogada sobre o que a levou a tomar a decisão de explodir uma nave cargueira no valor de milhões de dólares (dos anos 80, bilhões hoje em dia), ela é informada que colonos vivem no planeta onde se deu o encontro entre sua falecida tripulação e o xenomorph.

Pouco tempo depois ela recebe a notícia que os colonos desse planeta não respondem as tentativas de contato e que ela receberia seus direitos como piloto se ajudasse a equipe de “resgate” com sua consultoria em uma missão para verificar o que aconteceu.

Os Colonial Marines lideram a missão e não fazem ideia do que estão prestes a enfrentar. Diferente do filme anterior, que era um survival horror, essa é uma película de ação com pouquíssimos elementos de suspense (que fizeram do 1º filme um clássico). Sem dar spoilers centrais, dessa vez não temos apenas 1 xenomorph e sim uma horda, incluindo um xenomorph rainha (descobrimos assim, a responsável pelos ovos de onde os facehuggers, esse bichinho fofo da foto acima, surgem). Os Colonial Marines precisam lutar para sobreviver a cada encontro com esses seres formidáveis… não preciso dizer que a contagem de mortos é alta.

“I am the ultimate badass! State of the badass art! You do not wanna fuck with me. Check it out! Hey Ripley, don’t worry. Me and my squad of ultimate badasses will protect you!”

Além dos aliens, o que mais chama atenção no filme são as atuações, algumas vezes muito caricatas e, talvez por isso mesmo, muito cativantes de astros dos anos 80/90.

Hicks (Michael Biehn) é o soldado mais equilibrado, sempre tomando as decisões mais racionais nos momentos mais intensos. Vale lembrar que ele é o pai biológico de John Connor no 1º Exterminador do Futuro, provando que, no futuro, quem domina a Terra são as máquinas e o resto do universo são os xenomorphs. Que futuro merda para a humanidade (será que é por isso a insistência em quererem transformar o alien numa arma biológica? hummm)…

Bishop (Lance Henriksen) é um ciborgue que nos causa desconforto pelo o que o outro ciborgue fez no 1º alien, armando toda a situação do encontro e causando todas as mortes. Sempre ficamos esperando alguma filha-da-putagem dele. Aliás, não lembro de outro personagem do Lance sem ser dentro da franquia Alien (ele faz diversos personagens).

Hudson, interpretado pelo saudoso e recentemente falecido Bill Paxton, é o soldado mais fanfarrão do futuro da humanidade. “Game over, man! Game over!”.  Talvez seja o soldado pelo qual você mais torce para continuar vivo. Ele é confiante e corajoso, mas, quando a merda bate no ventilador, vira um puta cagão covarde. Ainda assim, é o meu personagem favorito no filme. Ele imortaliza um gadget que perdura décadas na imaginação popular, o radar de movimento.

À Esquerda, Bill Paxton (RIP 1955 – 2017) e, à direita, pai de John Connor.

O elenco (e o cinema) não seria o mesmo sem a presença das personagens femininas, em especial a Ripley. Mas antes de falar dela preciso mencionar a 1ª vez que vi um personagem que transcendia a identidade de gênero, Vasquez (Jenette Goldstein). Ela era mais viril que 2/3 dos homens do filme e, puta que o pariu, como isso era foda. Ela protagoniza uma resposta para Hudson que me fez ter vontade de ser uma mulher transgênero apenas para poder usar.

Private Hudson: Ei, Vasquez, já te confundiram com um macho alguma vez?

Private Vasquez: Não. Já confundiram você?

Hudson e Vasquez, que também era a mãe adotiva de John Connor… cacete, what the fuck is happening here?

Ripley… a mais fodona das fodonas. Ela estabeleceu o patamar para as heroínas no cinema. Furiosa que me perdoe, mas o que é o Immortan Joe perto de um Xenomorph rainha? Embora comece a franquia um pouco perdida e assustada, já no 2º filme ela é a líder em todos os confrontos com os aliens, dando ordens aos seus superiores, à militares, cientistas e até mesmo à xenomorphs. O ápice do filme é o ato feminista cinematográfico dos anos 80. Ela lutando contra um alien, que na verdade é uma rola gigante, em uma empilhadeira cujo design não parece muito adequado para empilhar, mas para arregaçar com aliens mesmo.

Ripley botando um limite no patriarcado.

Alien, o Resgate é um filme que representa o que foram os anos 80. Um grande filme de ação e ficção científica com personagens icônicos. Deve ser assistido por qualquer um que ame o cinema.

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