– Pérolas no Mar (Hou lai de wo men), dirigido por Rene Liu, disponibilizado pela Netflix em 21 de junho

“Ao fim de uma hora e cinqüenta e nove minutos impecáveis em que me senti sem ar pelo menos uma vez a cada 15 minutos, o filme se encerra daquela maneira que apenas o brilhantismo do cinema asiático poderia oferecer: com o fim. Daqueles fins que fazem a gente engolir em seco e, boquiaberto, praguejar “tá de sacanagem que vai acabar assim!”. Não apenas o filme termina de maneira inexorável mas tem a pachorra de tentar nos oferecer um silver lining, um sorriso ou um afago em meio à tamanha tristeza, como que quisesse nos devolver a esperança de que, sim, poderemos voltar a ser felizes em nossas vidas comuns depois que o filme acabar. E o que é mais absurdo: consegue! Ao subir o letreiro eu apertei o botão de “pause”, encolhi-me em posição fetal e chorei como uma criancinha por uns 20 minutos enquanto as cenas rolavam na minha cabeça. Quando meu cachorro terminou de lamber meu rosto abanando o rabinho, tentando me animar, eu, ainda incrédulo com tal fim, resolvi avançar as letrinhas em chinês, com a esperança vã de que houvesse uma “cena depois dos créditos”. E, caralho, puta que os pariu, há! Não uma que nos ofereça qualquer esmola de um “final feliz” tradicional, mas uma tão, mas tão bonita que, no que me diz respeito, a Marvel deveria ter a humildade de não mais tentar incluir algo do tipo em seus filmes. Não apenas tal cena complementa o filme (na verdade duas cenas diferentes, em seqüência… assista até o último segundo do filme!), como também se utiliza de um elemento bastante peculiar da história (sem spoilers aqui) como um gancho redondo (ainda que breguinha) pra nos dar aquele último tapa na cara com luva de pelica.”
Por Vlamir Marques em crítica publicada em 22 de junho


– O Vazio de Domingo (La Enfermedad del Domingo), dirigido por Ramón Salazar, disponibilizado pela Netflix em 14 de junho

“As transições de cena para cena são feitas por um clique de máquina antiga, que remete à lembranças sendo dedilhadas e à toda nostalgia ameaçadora entre as duas. Cronologicamente, também há uma espécie de reconstituição de momentos da criação de um filho. Uma visita ao carrossel, a preocupação de perder o filho na multidão; ressaca e a alusão à adolescência tardia; por fim, uma primordial cena de conclusão que não merece ser descrita e sim apreciada por olhos sensíveis. Tal cena desagua em recomeços e fins, laços antigos e recosturados, questionando sacrifícios maternais e, em especial, um conceito que ronda a cabeça de seres humanos atemporalmente: o que é libertação?”
Por Larissa Moreno em crítica publicada em 16 de junho

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