– A Casa Que Jack Construiu (The House That Jack Built), dirigido por Lars von Trier, lançado em 15 de novembro

“Se o filme peca, peca por seu excesso, com seios arrancados, sadismo inabalável, mas ecoando a parábola do escorpião, é a natureza de Von Trier, a natureza de um trabalho destinado a provocar e demostrar que no fim o que nos interessa é o inferno e não o paraíso. Assim, a obra se prova um caldeirão dantesco de humanidade, encontrado na humanização do sadismo e de seu protagonista doentio a busca pela analogia da falta da insignificância cósmica. É justamente no fascínio e na dor do outro que o psicopata tenta a partir da carne alheia desvelar poder sobre a sua. E num tempo onde a sinceridade das chamas desse inferno está travestida em canções sacras, cabe a Lars Von Trier escancarar as mandíbulas da selvageria e cabe a nós assistirmos seu banho de sangue, pois no fim somos todos voyeurs de nosso próprio apocalipse.”
Por Thotti Cardoso em crítica publicada em 19 de novembro


Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), dirigido por Spike Lee, lançado em 22 de novembro

“Artística e tecnicamente, a produção é uma coleção de acertos. A direção magnifica de Spike Lee encontra apoio em roteiro primoroso que ganha mais força através de uma edição ágil, provocativa e marcante. A fotografia de Chayse Irvin é arrojada e se amplifica nos igualmente arrojados ângulos de câmera, dialogando diretamente com a blaxploitation do cinema, contemporâneos à história narrada. A cena em que Ron e seu interesse amoroso, a ativista Patrice Dumas (Laura Harrier, inspiradíssima), avançam de arma em punho é de tirar o fôlego pelas referências ao cinema negro e a beleza dos ângulos e da fotografia. Trilha sonora, figurinos e direção de arte só colaboram para a excelência que permeia cada cena.”
Por Marco Medeiros em crítica publicada em 24 de novembro

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