A Mosca compõe o quadro dos grandes filmes de horror dos anos 80, como tantos outros que já apareceram aqui no MetaFictions, e causou impacto gigantesco na cultura popular e cinema, mesmo sendo um remake do longa de 1958. Esse impacto é visível aonde se olha, desde referências em programas de grande status, como os Simpsons, passando por filmes indicados ao Oscar e de grande repercussão, como Distrito 9.

No entanto, não há homenagem mais singela do que a apresentada no meu episódio favorito de Rick and Morty.

Alguns elementos nos saltam aos olhos nessas homenagens e são a essência de A Mosca: tecnologia futurista, a transformação mental e física e, por fim, criaturas amorfas e assustadoras. Esse pacote é o legado de David Cronenberg.

Esse ilustre diretor é o mestre no “body horror”, exibindo esses corpos como reflexo da mente de seus personagens, que possuem grande complexidade e externalizam a essência do ser humano. Somos verdadeiros monstros.

O longa conta a história de Seth Brundle (Jeff Goldblum), um recluso e brilhante cientista que está finalizando uma invenção que mudará a história da humanidade, mexendo drasticamente em conceitos como fronteiras e espaço/tempo, o teletransporte. Ele encontra Veronica Quaife (Geena Davis) em uma convenção de tecnologia e eles iniciam uma relação profissional que aos poucos escala para a relação carnal/sentimental.

Telepod apresentado com muito charme.

Seth, em um daqueles momentos no qual a bebida e más decisões se encontram, resolve se teletransportar sem muitos dados que comprovem a segurança do processo. Obviamente que algo dá errado. Uma mosca entra com ele no telepod e a sequência de DNA de ambos é misturada, resultando na transformação gradual da mente e do corpo de nosso protagonista.

A Mosca é um filme icônico, apesar de apresentar alguns problemas de argumento e roteiro para os dias atuais, muito mais pelo nosso conhecimento de genética do que por falha dos envolvidos no filme. Se o grande problema era ter dois DNAs diferentes na hora do transporte, como ficam todos os parasitas que carregamos e organismos microscópicos que vivem no ambiente e dentro de nós? No entanto, isso não tira o “charme”  do filme, que se apega fortemente aos aspectos da transformação em todos os âmbitos, tanto de Seth quanto da relação dele com Veronica.

Cena de Distrito…. digo A Mosca.

Muitas cenas marcantes para a história do cinema do horror corporal estão nesse longa, mas talvez a que mais tenha me marcado seja a cena da queda de braço. Depois de ter visto essa cena nunca mais disputei uma. Vale ressaltar que na mesma época que vi A Mosca (1986) também vi Falcão – O Campeão dos Campeões (1987), filme que mostra Sylvester Stallone sendo campeão nesse “esporte”.

Geena Davis não é a Ripley de Alien aqui, embora tenha grande independência e seja parte importante do longa em diversos momentos. Ela é a força motriz de Seth do inicio ao fim, catalisando sua transformação emocional. Seus belos e grandes olhos castanhos e seu sorriso encantador marcaram profundamente o raso e jovem Ryan Fields de 10 aninhos. Crush que se concretizou após assistir ao Os Fantasmas se Divertem (1988).

… calma, pequeno Fields.

Jeff Goldblum talvez seja, junto com Kurt Russel, um dos atores de ficção científica mais conhecidos dos anos 80 e início dos 90, passando por grandes franquias (e retornando em algumas, revivendo os mesmos personagens). Sua atuação não é canastrona como as do seu colega de profissão e entrega de forma convincente suas motivações e profissão. Ele foi tão convincente que nunca mais conseguiu abandonar o personagem, sendo um cientista em Jurassic Park e Independence Day.

Cronenberg desenvolve um belo filme que marca uma geração em uma década de intensa competição e inúmeros clássicos no gênero. Aperta meu coração ver hoje em dia versões regurgitadas desses clássicos. Vale ressaltar que o remake de A Mosca já está em pré produção pela Fox.

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