A franquia Alien conta com 7 filmes, variando do brilhante ao quase não “assistível”. Esse ano teremos a continuação de Prometheus (2012), Alien: Covenant, 8º filme da franquia. Lá se vão 5 anos desde o último filme e 38 anos desde o primeiro. O que faz dessa franquia algo tão especial para os corações dos apaixonados por cinema e para o cinema em si?

Gostaria de começar esse Assista! posicionando a franquia no meu imaginário e formação cinéfila. Quando lembro dos filmes que mais tiveram impacto em mim, eu sempre lembro de 3 filmes: Hellraiser – Renascido do Inferno (1987), Poltergeist (1982) e Alien: O Resgate (1986). Embora eu tenha nascido em 1982 só fui assistir esses filmes muito depois (mas não tão depois quanto deveria… obrigado, pai). Todos eles acabei vendo quando tinha em torno dos 10 anos em fita VHS e eles fundamentaram minhas fobias e paixões: o desconhecido e o assustador.

Alien: O Resgate detém um lugar especial no meu coração. Foi o filme que me introduziu a esse mundo do terror e ficção científica. Lembro de estar coberto e encolhido fingindo que estava dormindo enquanto meu pai assistia o filme tarde da noite, que por sua vez fingia que não sabia que eu estava acordado. Ver um Xenomorph pela primeira vez assombrou minhas noites por um longo tempo. Aquela aparência (design de H. R. Giger) despertava (e ainda desperta) algo primitivo, com seu exoesqueleto preto, gosmas pingando e formato fálico. Essa criatura encarna, em todo seu aspecto, o mal e a sexualidade bestial. Começando a sua vida na fase larval com o Facehugger introduzindo o embrião no hospedeiro por via oral e, depois de algumas horas, o Chestburster irrompendo do peito do hospedeiro, que é o nascimento do Alien propriamente dito. Só de imaginar esse ciclo era assustador.

Conceito artístico de H. R. Giger. Felizmente não foi usado esse Alien.

Muitos anos se passaram e finalmente assisti Alien: O 8º Passageiro. Para a minha surpresa um filme muito diferente da sua sequência, que era basicamente um filme de ação com alguns poucos elementos de terror (há quem diga que é melhor de todos). Com o slogan “no espaço, ninguém pode ouvir você gritar” o filme introduz uma ideia simples e assustadora. Você está num ambiente hostil do qual não pode fugir com um ser do qualvocê não sabe o que esperar, além de um provável encontro fatal. O que você faz? Se esconde? Tenta matar o Xenomorph? Independente da sua escolha, o resultado será apavorante.

A película começa com a nave de carga Nostromo e seus 7 tripulantes sendo acordados da hibernação por causa de um sinal em um planeta próximo. A tripulação desce ao planeta para averiguar e descobre uma nave com restos de vida alienígena inteligente. Após explorar a nave brevemente, um dos tripulantes sofre um acidente e eles voltam com um “tripulante” a mais… o Facehugger.

O Facehugger por baixo lembra uma vagina. Giger possuía muita inspiração sexual.

O filme se desenrola de forma muito interessante daí para frente. Ridley Scott conduz cada cena tentando criar tensão ao máximo. Para tal, um dos principais elementos desse filme se destaca, a iluminação. Há um contraste muito grande entre as áreas escuras da nave e as partes iluminadas (e em muitos casos pouco iluminadas). E o cenário passa uma sensação claustrofóbica, com espaços apertados com protuberâncias, cenas em dutos de ar e tetos baixos. Esse trabalho de direção de arte foi tão brilhante que rendeu uma indicação ao Oscar, além de vencerem na categoria Melhor Efeitos Especiais.

O que não passa na sua cabeça além de “corre!”!?

Alien não tem o mesmo ritmo dos filmes de terror atuais, que crescem em ação e diminuem em tensão conforme o filme progride, banalizando, assim, seu objeto de interesse. Seu ritmo é constante e lento durante todos os seus 117 minutos. Mostrando por muitas vezes os personagens apenas se deslocando pela nave. Caso você goste de cenas frenéticas de ação, veja o 2º filme.

Não posso finalizar sem falar da atuação de dois ícones do cinema. John Hurt (Kane), que imortalizou a cena do Chestburster e Sigourney Weaver (Ripley), que estabeleceu o parâmetro para heroínas no cinema. Atuações belíssimas, mesmo que a de John Hurt tenha sido curta.

Com essa tripulação, o Predador não tem vez.

Embora o filme esteja datado no que tange a tecnologia espacial, sendo que seu celular vai parecer mais poderoso que o computador de uma nave interplanetária, é fundamental para os gêneros de terror e ficção científica.

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