O Assista! dessa semana é muito especial, além de ser o primeiro que já fizemos de qualquer coisa que não um longa metragem. O diferencial da série hoje debatida é a sua capacidade de transcender seu gênero. Estamos falando de um anime (animação japonesa), coisa que raramente encontra aceitação do grande público.

No 1º Garimpo Crunchyroll falei do meu retorno ao mundo otaku (fãs de animes e mangás) após alguns anos sem assistir virtualmente nada e de como foi unânime entre todo mundo que consultei que eu deveria retornar a esse mundo pelo Death Note.

Após desfrutar dos seus 37 episódios em poucos dias eu estava extasiado. Sempre gostei de animes shounen e Death Note – apesar de existir a discussão se ele é um shounen ou seinen (animes para adultos) – abriu as portas para meu consumo desenfreado desse subgênero de anime que aborda temáticas maduras e complexas.

Tamanho é seu sucesso, que 10 anos após seu fim, a Netflix se prepara para o lançamento do live action que estreia nessa 6ª agora, dia 25/08.

Regra demais, foda-se.

Death Note conta a história de Light Yagami, um brilhante jovem no fim do seu ensino médio e que se depara com um caderno em cuja capa há a inscriçao estilizada “death note“. O caderno também conta com várias instruções em seu interior, pouco mais de 40.

Importante mesmo é a sua função básica: matar pessoas. Escrever o nome de alguém no caderno enquanto você visualiza o rosto da pessoa leva a vítima ao óbito 40 segundos depois por ataque cardíaco caso você não especifique como deverá se dar a morte do sujeito. Esse caderno caiu no mundo dos humanos depois que um shinigami (deuses da morte da mitologia japonesa) chamado Ryuk, por puro tédio, o descartou para ver o que aconteceria nas mãos de um humano. Somente quem encosta no death note pode ver e falar com seu shinigami, o que leva a ótimos diálogos entre Light e Ryuk.

Demônio headbanger, como todos devem ser.

Após Light usar o caderno e perceber seu potencial, ele inicia o que chama de “a construção de uma nova era em um novo mundo”, onde ele seria a justiça encarnada e passa a assumir a persona de Kira (como a mídia passa a chamá-lo e que nada mais é do que a maneira bizarra japonesa de se falar “Killer”).

O que poderia ser uma premissa bem trivial e com fraco desenvolvimento acaba por se tornar um dos melhores roteiros sobre investigação policial já feito. Obviamente que uma tonelada de assassinatos de criminosos não passaria despercebida e um brilhante detetive fica encarregado de encontrar o responsável, “L”.

Melhor detetive da história dos animes.

Seu nome não é revelado justamente para não se tornar mais uma vítima e é aí que vemos a grande graça do anime. Kira também mata qualquer um que entrar no seu caminho e, enquanto eles tentam descobrir a identidade do outro, diversos personagens carismáticos, alguns shinigamis e outros death notes são pegos no fogo cruzado.

O que é justiça, quem deve aplicar e como deve ser aplicada? Vemos a evolução desses questionamentos e dos personagens conforme passa o corte de tempo da série (6 anos). A todo momento simpatizamos com lados diferentes e, frequentemente, não sabemos bem para quem torcer.

Regra 1 – Não coloque o nome do dono no caderno.

Death Note é uma obra magnífica e espero que seja razoavelmente bem adaptada. Independente da qualidade do live action, assista ao anime que está disponível na Netflix com uma ótima dublagem.

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