Caros amigos do MetaFictions, bem-vindos à ode ao terror. O nosso filme homenageado de hoje, O Segredo da Cabana (que está afortunadamente disponível na Netflix), consegue o que muitos longas almejam: ser um filme de referência dentro de um gênero que costuma ser execrado pela crítica e premiações.

O seu “segredo” (trocadilho bosta!) jaz na sua originalidade e, ao mesmo tempo, no seu uso dos clichês de filmes de terror. Caso você não seja um fã do gênero, não se preocupe! Você irá se entreter bastante. No entanto, se você for um aficionado como somos vários de nós aqui do MetaFictions, certamente você se sentirá como pinto no lixo (aproveite e confira nosso Top 10 Filmes de Terror!)

A boa e velha cabana…

Lembro quando entrei no cinema e começou a sessão, durante 5 minutos achei que estava na sala errada até aparecer o título do filme, tão heterodoxa sua narrativa é. O longa começa com 2 funcionários, Sitterson (Richard Jenkins) e Hadley (Bradley Whitford), em alguma instalação militar discutindo coisas do dia-a-dia, com uma ambientação longe do terror.

Pouco tempo depois começamos o que parece ser um filme paralelo, com 5 jovens que são e ao mesmo tempo não são os estereótipos costumeiros. Temos o casal formado pelo atleta (Curt – Chris Hemsworth) e a loira promíscua (Jules – Anna Hutchison), que nesse caso são muito inteligentes, o maconheiro (Marty – Fran Kranz), que é extremamente lúcido, o intelectual (Holden – Jesse Williams), que é todo saradão, e a virgem (Dana  – Kristen Connolly), que passa longe de ser virgem.

Eu mencionei que o filme é extremamente gráfico?

Interessante ver como esses dois núcleos seguem paralelamente sem ligação até que a trupe siga para a famosa cabana na floresta. Aí começamos a perceber o que está acontecendo. Sitterson e Hadley estão conduzindo os 5 jovens por um ritual de sacrifício que nós, da audiência, por já estarmos calejados, sabemos que possui certas regras/requisitos que devem seguir determinada ordem.

Tudo o que é clichê está ali. O cara tenebroso do posto de gasolina que alerta sobre os perigos que estão por vir, a falta de sinal de celular ou ausência dos meios modernos de comunicação, a cabana isolada no meio da floresta e as decisões estúpidas tomadas pelos 5 jovens. Caso estivéssemos vendo SOMENTE a parte desses 5 jovens acharíamos o longa apenas mais um filme genérico de terror. No entanto, vemos aqui toda uma infraestrutura voltada para que todos esses clichês ocorram.

Eu vejo referências.

O cara do posto é na verdade um ator muito devoto ao ritual, a falta de sinal ocorre porque eles não estão em uma floresta e sim num ambiente controlado, a cabana não está isolada, abaixo dela estão dezenas de pessoas trabalhando para que tudo saia dentro dos conformes e as decisões estúpidas são guiadas pelo uso de feromônios deliberadamente dispersos no ar.

Os clichês aqui são postos como parte de um ritual e não como algo que acontece por acaso. Tudo é planejado e orquestrado. Responda-me, quando começa uma cena de sexo você já não sabe que alguém vai morrer? Sexo precisa ser punido e é isso que ocorre.

Always.

Mas punido por quem? Aí o filme se destaca como nenhum outro. Os jovens precisam “escolher” dentre dezenas de objetos amaldiçoados que estão no porão da casa. É um mar de easter eggs e referências (deixarei um vídeo ao final sobre elas). Uma vez dado início à maldição começa o ritual.

As cenas com Sitterson e Hadley são disparadas as melhores. Como se estivéssemos assistindo a um making of do próprio filme, onde os diretores precisam fazer com que os clichês aconteçam para agradar ao público. Incluindo aqui algumas cenas de vários departamentos desse instituto realizando um bolão para ver qual maldição eles despertarão.

Eu disse que vejo referências!

Referência às outras escolas do terror, como a japonesa, são feitas, mostrando que seus rituais possuem nuances próprios e que também já conhecemos. Vemos que em várias partes do planeta esses rituais tomam forma e servem a um propósito maior.

O Segredo da Cabana aborda o moderno encontrando o antigo, com a tecnologia junto aos fantasmas, monstros e demônios. A prática dos rituais se desconecta da crença, que são realizadas sem qualquer paixão e contexto, buscando um resultado pragmático. Tudo é realizado com um único propósito, acalmar os antigos deuses: nós.

 

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