É quase um pecado ainda não haver um um texto sobre “Os Incríveis” no quadro “Assista!” aqui do site. Um filme tão consagrado e que já se tornou um clássico das animações, sendo provável que você, caro leitor, já tenha visto. A história da família Pera se tornou tão forte uma parte da minha infância que eu me lembro, quando era ainda uma pequena criatura, de ter chegado para minha mãe e feito um pedido um tanto quanto estranho: “Mãe, eu quero fazer o cabelo do Síndrome!”. Minha querida genitora me olhou e, estranhamente, aceitou o desafio: “Espera, deixa eu pegar o gel”. Eu aguardava ansiosamente, confiei com todas as forças no talento da minha mãe. Corta para alguns minutos depois e só se escuta o choro dramático da criança. O motivo? “Mãe! Era pra ser o Síndrome, não o Zezé!”, mas, claro, minha querida mãe não podia fazer nada. No fim a culpa era minha por não ter muito cabelo. Crianças, vai entender…

Em comemoração da volta da família Pera aos cinemas, dedicamos hoje este “Assista!” a esta bela obra produzida pela Disney/Pixar e lançada em dezembro de 2004.

A história acompanha uma família com super poderes, sendo que os pais, Roberto Pera (Craig T. Nelson) e Helena Pera (Holly Hunter) são os super-heróis Senhor Incrível e Mulher Elástica. Ainda compõem essa família Violeta Pera (Sarah Vowell), filha mais velha e adolescente com poderes telecinéticos, Roberto “Flecha” Pera Jr. (Spencer Fox), que corre muito rápido e, por fim, Zezé, o bebê, cujos poderes ainda são uma incógnita. O mundo não está precisando de super-heróis, o que leva todos a se aposentarem, porém uma mulher misteriosa convida Roberto para atuar mais uma vez como o Sr. Incrível, o que ele aceita sem a família saber.

A coleção de personagens do filme, suas respectivas personalidades e a interação entre eles é o que tem de melhor no roteiro de Brad Bird, que também assina como diretor da obra. O carisma de Roberto querendo se aventurar de novo no sentimento de heroísmo, as implicâncias entre o casal de irmãos e ao mesmo tempo o senso de responsabilidade de Violeta sobre seu irmão mais novo, a coragem grande de Helena e a doce preocupação dela como mãe destacam a família como unida e bem carismática.

Aos coadjuvantes, há um um grande espaço reservado no meu coração, começando por Gelado (Samuel L. Jackson), o amigo de longa data de Roberto, possui poderes de gelo, é super divertido e bem no estilo Samuel L. Jackson de ser (mas sem os palavrões). Ainda nos secundários, temos a fenomenal Edna Moda (dublada pelo próprio diretor do filme), a estilista dos heróis, que consagrou o filme com sua grande irritação com o uso de capas. E, para encerrar, não poderia faltar o grande vilão do filme, Síndrome (Jason Lee), que na infância queria ser o parceiro do Sr. Incrível, dando a si mesmo o nome de “Guri Incrível”. Agora ele quer vingança por toda aquela humilhação. Síndrome não tem super-poderes, ele se baseia na tecnologia, criando raios neutralizadores, botas foguetes e robôs gigantes.

A animação é aquela bela qualidade Pixar que se conhece, somando-se a ela ainda uma narrativa muito confortável e prazerosa de se acompanhar. As cenas de ação são muito bem feitas, com destaque para os momentos em que a família Pera luta contra um robô gigante, cada um com suas características de combate e interagindo de forma única. Cabe falar também da bela trilha sonora do filme, lindamente composta por Michael Giacchino (ganhador do Oscar por Up – Altas Aventuras), que fez muito sucesso com o público.

A ideia de que “parece que foi ontem que o primeiro teve sua estréia” não se aplica aqui, demorou 14 anos, mas, agora, às vésperas de Incríveis 2, finalmente vamos continuar a jornada dessa família tão adorada. Quando você acabar de ler este texto, reveja o primeiro filme para entrar direto no segundo com a cabeça fresca, afinal, cá entre nós, “Os Incríveis” merece!

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