Olá, queridos leitores do MetaFictions. É com muita emoção e entusiasmo que escrevo sobre o meu filme favorito do meu diretor favorito. A cada vez que revejo, mais emocionado fico e mais me enxergo nele, especialmente agora que sou um contador de histórias.

Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas é um longa sobre legado, conexão e memória. Em como tudo isso afeta a visão que temos das pessoas que nos cercam, seja por convívio obrigatório, por circunstâncias do destino ou por escolha.

A vida é um circo e nós somos os palhaços.

No longa, vemos Will Bloom (Billy Crudup) passando por todas essas fases com seu pai. Inicialmente sendo obrigado a um convívio superficial durante a infância, passando pelo convívio pontual em ocasiões especiais, como seu casamento, e chegando a escolha de passar com seu pai seus últimos dias.

Ed Bloom (Albert Finney presente e Ewan McGregor passado) é um pai aparentemente negligente, que trabalhou por muitos e muitos anos viajando pelo país. Tudo que seu filho tem dele são suas “histórias maravilhosas”.

Uma bela história de como esse carro parou ali.

Eis a grande beleza de Peixe Grande: quem é a pessoa por trás de todos esses contos incríveis, que beiram o fantástico e o fantasioso?

Will passa a investigar o que há de verdade nas histórias em busca de uma versão de seu pai que ele possa se apoiar. Uma busca por um elo com uma das pessoas das quais ele mais deveria ser próximo, mas de quem se sente tão distante e sem conexão.

Ai Marion… se você tivesse olhos castanhos era crush.

Tim Burton submerge o espectador na fantasia desses contos. Somos apresentados à personagens que dificilmente existiram e situações bem pouco prováveis. Mas como toda boa história, sempre é embasada em algo verdadeiro.

Temos exemplos marcantes, como Karl, o gigante, interpretado pelo falecido Matthew McGrory. Ping (Ada Tai) e Jing (Arlene Tai), as gêmeas siamesas, Norther Winslow (Steve Buscemi), o investidor/poeta milionário, Amos Calloway (Danny DeVito), dono de um circo itinerante, a bruxa (Helena Bonham Carter) que mostra quando as pessoas morrerão em seu olho falso e tantos outros carismáticos personagens.

O Gigante.

Todos eles existiram, mas em situações e formas que foram extrapoladas. O que é uma boa história sem um exagero?

O longa pode ser sobre a relação de pai e filho, mas apenas ganha vida quando esposas entram em cena. Sandra Bloom (Jessica Lange presente e Alison Lohman passado) e Josephine Bloom (Marion Cotillard), parceiras do pai e do filho, respectivamente, são o porto seguro de cada um, trazendo sempre uma certeza confortante em suas presenças. São os motores que impulsionam as fantásticas aventuras de jovem Ed e a busca de significado nas histórias do pai que Will explora.

“Dying is the worst thing that ever happened to me”

Ao final, eu me debulho em lágrimas todas as vezes que assisto. Poucos filmes me tocaram tanto quanto esse e, especialmente agora que sou professor, eu me pego contanto histórias verídicas, mas exageradas em certos pontos com a finalidade de passar uma mensagem ou criar um mito em torno da minha persona. Fico imaginando o que ficará de mim nos meus alunos quando meus alunos eles não mais forem…

Não deixe de conferir Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas e, caso você tenha sido/seja meu aluno, quais histórias fantásticas eu contarei com você nela?

🙂

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