Em meio às polêmicas de suas cenas demasiadamente explícitas e desnecessariamente longas, Azul é a Cor Mais Quente surge como um filme poderoso. Seguindo a narrativa, por vezes abrupta, da Graphic Novel adaptada, o filme nos conta a história de uma jovem garota, Adèle, que começa a se descobrir atraída pelo mesmo sexo. Esse conflito perdura, pois a personagem tenta se negar sobre esses desejos que a tomam violentamente.

As 3 horas de filme contam como ela se aproxima de Emma, pessoa que despertou, indiretamente, essas vontades que tanto a perturbam; os conflitos internos, bem como os que envolvem a sociedade; até chegar à fase adulta de Adéle, abordando os altos e baixos comuns a todo e qualquer relacionamento de forma deveras intensa.

No entanto, a sua força não esconde um sem-número de problemas que podem ser considerados nesta obra. É possível perceber algumas de suas fragilidades em suas passagens principais: a atitude preconceituosa dos pais, importante contraponto ao discurso exposto (personagens estes que desaparecem de maneira repentina), a forma como Adèle adentra o universo gay (pela simples observação de um casal que atravessa a rua) e, principalmente, as duas diminutas cenas que constroem a separação de Adèle e Emma (a saber: um Azul é a Cor Mais Quente

conversa muito próxima com uma amiga e a negação à tentativa de sexo, logo depois) poderiam comprometer o filme que, em suas três horas de duração, tinha a possibilidade plena de construção do que quer que fosse. O conterrâneo Tomboy (e aqui a comparação é inevitável, já que também discute sexualidade) consegue ser sucinto e profundo, tornando-se, portanto, irretocável.
Apesar disso, a temática bem explorada e tratada com sensibilidade, aliada à força da atuação de Adèle Exaschopoulos, tornam seus pontos fracos menos perceptíveis, fazendo de Azul é a Cor Mais Quente um filme que se destaca dentre as produções do ano.

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