Blue Valentine não é um filme para se ver; é para se sentir. Buscar lições racionais e exemplos de vida é em vão. Para alcançar a profundeza que o filme proporciona é necessário uma sensibilidade e disposição da parte do telespectador, e coragem pra saber que tudo que é mostrado pode ser real e que nem todo filme tem um final feliz – assim como nem toda história de amor. Durante as 1:50 de filme a sensação de viver o que os personagens passam é inacreditavelmente real. Parece que cada dor, felicidade, desespero e sensação de estar perdido é sentida.

Perdi as vezes em que me comparei tanto com o personagem de Ryan Gosling, um sonhador, impulsivo, romântico e até infantil, quanto com a personagem de Michelle Williams, uma mulher frustrada e que me parece triste a maior parte do tempo. Os dois parecem ser o oposto um do outro, mas mesmo assim tentaram – e, por que não, conseguiram? – construir uma história aos trancos e barrancos. A constância dos flashbacks durante o filme inteiro torna a obra ainda mais sensível, e sensitiva, e mostra o quão inevitável é a comparação na vida de um casal. O quão saudoso e melancólico pode ser um relacionamento, em crise ou não. A construção fotográfica nos dá aquele gostinho de saudade, e sela o filme com perfeição.

O real questionamento, na minha opinião, é: quantos futuros aquele casal deixou de lado optando por estarem juntos? O quanto poderia ser ou ter sido diferente? E por que a sensação de que não era pra ter acontecido provavelmente se instala nos ombros de cada um durante algum momento da vida? Até onde a decisão de estar juntos ou não é amor, e não dependência, necessidade?

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