Possuo certo pavor de filmes com o Nicolas Cage. 

Já foram tantas desilusões. 

É uma lastima que um dos maiores atores de nosso tempo tenha se tornado sinônimo de mediocridade e produções absolutamente genéricas que não servem nem como entretenimento barato. 

Cães Selvagens tem um pôster genérico, um título genérico e Nicolas Cage. Porém o mais novo  trabalho do ator consagrado por Coração Selvagem, Adaptação e Despedida em Las Vegas é tudo menos genérico. Desde sua primeira sequência, a película mostra a que veio, numa explosão de contrastes com azul claro e rosa e numa fotografia estilizada à décima potência. Mais do que estilo, o filme abre com brutalidade nas mãos de sua alma, um animalesco Willem Dafoe. 

Dali pra frente temos uma narrativa que oscila entre o complemento ideal ao seu impecável estilo e uma entediante incapacidade de desenvolver  tanto os personagens quanto sua mensagem. A trama é simples: três homens saem da prisão e, sem opções para se reinserirem na sociedade, voltam ao crime. Troy é o cérebro, interpretado por um protocolar Nicolas Cage. Diesel (Christopher Matthew Cook) é uma versão mais rechonchuda de seu primo Vin. E Dafoe, como já dito, é um animal (literalmente). 

Cage sendo Cage

O diretor Paul Schrader (roterista de clássicos como Taxi Driver e Touro Indomável) confere a Cães Selvagens um subtexto potente, passeando por um interior americano doente onde o amor apenas chega na forma de boquetes operados por hábeis prostitutas de luxo. Cachorro come cachorro (tradução literal do título original) num mundo privado de luz e com diálogos sobre Elliot Smith.

The potential you’ll be that you’ll never see/The promises you’ll only make -Elliot Smith

A câmera abusa de planos detalhes e uma atmosfera verdadeiramente noir vai se criando. Entre o noir, o gore e a crítica social, o filme encontra seus melhores momentos. 

Infelizmente os personagens são extremamente planos , a narrativa entediante e confusa. Grande parte dos planos ilícitos dos personagens são mal explicados e deixam o espectador absurdamente perdido. Algumas cenas são desconexas e não levam a obra a lugar nenhum. Após o impacto inicial, aquela sensação de brutalidade só é recuperada no final da película.

Em suma, Cães Selvagens cumpre sua missão de selvageria, começa e termina encantando a audiência. Todavia, pela falta de desenvolvimento de personagem e afogamento em suas intrínsecas prepotências, não consegue deixar de parecer um exemplo de bela violência puramente gratuita.

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