Depois de esperar por longos meses após o anúncio da Netflix da série animada Castlevania, pude hoje desfrutar dessa adaptação dos clássicos games  que conta com mais de 30 anos de história.

Para começar, temos um roteiro (com colaboração de Warren Ellis) de um filme que foi, por falta de palavra melhor, picotado em 4 episódios de 25 minutos cada. O que muito bem poderia ter sido um longa animado com maior duração, ou uma série com 10 episódios, recebeu esse tratamento pouco ortodoxo da gigante do streaming. Por conta dessa questão, temos um ritmo na narrativa bem descompassado, com os primeiros 10 minutos do 1º episódio contando rapidamente uma história que merecia, no mínimo, 2 ou 3 episódios inteiros. Muitas outras passagens da história poderiam ter sido mais esticadas, mas infelizmente ficamos sem saber ao certo o que ocorreu ou vemos algo muito superficialmente.

A obra bebe em sua fonte de forma literal, adaptando o 3º game da franquia Castlevania. Caso você não esteja familiarizado com os jogos, todos eles seguem membros da tradicional e antiga família Belmont, encarregada de proteger a humanidade de seres demoníacos.

Quantas histórias nesse castelo…

O game que serve de base para a série acompanha Trevor Belmont e Alucard, que tentam matar o ressuscitado Drácula. A série é perfeitamente assistível sem qualquer conhecimento sobre o material fonte, mas tem um gosto especial para quem conhece, já que muitos detalhes foram preservados na adaptação.

A história se passa em Wallachia (Valáquia em português), porção sul da Romênia, onde Vlad Tepes – o famoso Drácula – o Empalador – vive. Após se apaixonar por sua aprendiz, que buscava conhecimento médico científico para ajudar a população pobre da Romênia do século XV, Vlad passa a viver como um humano. Mas humanos são humanos e não negamos nossa natureza, o que significa que a sua amada é queimada na fogueira pela Igreja por ser considerada uma bruxa. Ao descobrir, ele entra em modo genocida para punir todos os humanos envolvidos direta e indiretamente na execução. Claramente consumido pelo ódio, ele expande sua vingança para basicamente toda a humanidade com seu exército de bestas demoníacas.

Bondage pronto para começar.

A série representa a igreja e seu clero como tudo o que há de mais vil no mundo. Eles manipulam os ignorantes e atacam os que usam da razão, enquanto assumem que são o único caminho para a salvação e que falam em nome de um ser superior. Em Castlevania, o mal não existiria sem os atos da igreja. Os episódios são carregados quase que exclusivamente pela ignorância e intolerância religiosa.

Boa parte da história se passa na cidade de Gresit, na qual um grupo de Speakers, povo nômade que guarda a História/conhecimento de forma oral, se encontra para ajudar o povo contra os demônios que atacam a noite. Junto à eles temos Trevor Belmont, previamente citado, como bastião da arte de matar seres profanos para proteger os residentes. Exatamente por conta dessa sua tradição familiar de gerações que a família Belmont é excomungada, tendo suas terras expropriadas e seus títulos de nobreza, fortuna e influência como uma das grandes casas da região arrancados de suas mãos.

Família tradicional circense.

A animação é razoavelmente bem feita, mas com cenas de ação abaixo do merecido e esperado. Confesso que, como um otaku (consumidor voraz de animes – desenhos japoneses), estou acostumado com uma animação completamente diferente das ocidentais. No entanto, Castlevania bebe diretamente nessa fonte, com traços e narrativa que lembram bastante as produções do povo da terra do Sol nascente. Vale mencionar a violência extremamente gráfica. Talvez a mais violenta série animada ocidental que já vi.

A obra é muito curta, levando a um final com um “gostinho de quero mais”, já dizia Gustavo, o viril, que deve ter se emocionado com cada tripa sendo exposta em tela.

Enquanto aguardamos a liberação da 2ª temporada, recomendo fortemente que você assista duas produções orientais que abordam os temas de Castlevania: Hellsing Ultimate, que conta a história de Alucard, um vampiro matador de nazistas. E o ótimo Berserker, que mostra demônios e a igreja em algo muito similar ao apresentado na série da Netflix.

Até lá, aproveite.

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