Com mais de 200 casos nos últimos anos e sendo diagnosticado no início do século XXI, a síndrome de Resignação é um reflexo preocupante de uma geração de crianças refugiadas que vivem em um mundo cada vez mais xenófobo e alheio aos problemas de povos menos abastados. Com sintomas semelhantes ao coma – com uma duração de meses a anos -, essa síndrome ainda não é muito bem entendida pela ciência, apesar de apresentar em seus casos certas tendências sociais.

Mais de 90% dos casos ocorreram na Suécia, com famílias em condições de pendência de aprovação de status sobre permanência no país e que fugiram de situações de perseguição em seu lugar de origem. Quase todos os casos, apesar do documentário não tomar partido político, são de regiões de controle russo direito, dentro de suas fronteiras, ou indireto, em locais de disputa territorial em suas ex-repúblicas soviéticas, mostrando ainda as marcas dos violentos processos de sovietização e da política do Liquidificador que transformaram a região do Cáucaso e dos Bálcãs em zonas de conflitos étnicos que perduram até os dias de hoje.

Seguindo com crianças nesse estado de sono perpétuo, acompanhamos algumas histórias familiares e ficamos tão incrédulos com as circunstâncias de cada caso quanto da síndrome em si, que é o reflexo social e psicológico mais honesto a esse mundo que vejo nos últimos anos: dormir até tudo passar. Mesmo dando uma cutucada na política migratória sueca e resvalando em movimentos ultranacionalistas que ganham força a cada eleição na Europa, A Vida em Mim é um curta documental que se isenta de um processo crítico, focando mais em entender uma enfermidade do que a sociedade que a produz.

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