E se fizessem um filme de menos de 10 minutos inspirado (aparentemente) em uma pequena passagem de 1984, de George Orwell?

Lembro-me deste livro claramente (e já o li há anos, uma única vez), sendo uma de suas passagens mais marcantes, para mim, quando um personagem fala algo como: “eu não quero que você aceite o que falo, quero que acredite naquilo que falo. Se eu precisar que você acredite que 2+2 são 5, então você acreditará”. Certamente, não são essas as palavras do grande escritor, mas foi dessa forma que elas se fixaram na minha mente de garoto.

Babak Anvari, ao lado de Gavin Cullen, escreve um roteiro sobre isso (na minha opinião, claramente inspirado na parte supracitada da obra de Orwell, muito embora não haja qualquer referência nos créditos do curta). Two & Two é falado em persa e atuado por iranianos. No entanto – é óbvio – a produção não é de lá; é do Reino Unido, onde Babak Anvari costuma filmar. Esta obra nunca teria sido feita no Irã, justamente pelo sistema controlador de lá. Anvari, então, se expressa pela Arte, criticando esse tipo de ação do Estado. E em sistemas totalitários e autoritários, nada melhor do que a Escola como principal aparelho ideológico. E é nesse lugar onde acontece os 8 minutos do conto de Babak.

O filme é tão bem dirigido que, apesar das legendas apenas em inglês, qualquer um consegue entender o que se passa. Babak conta sua história através da força da imagem em movimento, como deve ser o Cinema. Two & Two foi indicado ao BAFTA de melhor curta-metragem em 2012 e, apesar de já ter visto algumas dezenas de vezes, volta e meia eu venho ver de novo.

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