Um grande diretor brasileiro, com pouquíssimos longas na filmografia (para alguns, tendo começado tarde, inclusive; sendo isso, um importante motivador para mim, pessoalmente), mas obras fantásticas, é o nosso contemplado da vez, pelo CinePigmeu. Trata-se de Kleber Mendonça Filho e seu curta-metragem Recife Frio, produção exatamente anterior ao seu primeiro longa de ficção, o belíssimo O Som ao Redor.

Neste curta, Kleber traz muito dos elementos sempre presentes em seus filmes: tensões sociais, o Recife (que costuma surgir como um dos personagens principais das suas tramas) e a naturalidade de suas histórias e direção. Em Recife Frio, especificamente, o diretor consegue costurar diferentes linguagens cinematográficas, tornando a obra quase como uma armadilha ao espectador. Lembro-me de ter ficado um tanto quanto atônito ao assisti-la, pela primeira vez, quando esbarrei com sua exibição (já pela metade) no Canal Brasil (acredito eu).

É impressionante como o diretor tem total controle sobre sua narrativa, conseguindo realizar leituras tão profundas acerca da construção do ideário brasileiro, da delicada relação entre grupos sociais (que esconde muitas facetas) e com a naturalidade de quem parece colocar uma câmera invisível. Seja ficção, seja documentário, Kleber fala sobre os assuntos com tamanha sinceridade, que seus filmes surgem com força determinada.

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