Assim como o terror, filmes de faroeste parecem sempre ter os mesmos elementos; algo que alguns identificam como clichê e outros como características da identidade de cada gênero. Mas será que o uso do clichê é algo, a priori, ruim?

The Gunfighter é um curta-metragem de 9 minutos que se utiliza de quase todos os clichês do gênero faroeste. No entanto, a inteligência da produção está exatamente nisso, respondendo a nossa pergunta anterior. O diretor Eric Kissack, a partir do roteiro de Kevin Tenglin, conta a história de um homem que adentra um bar, onde há uma dupla planejando um atentado contra ele. Um narrador clássico, em voice over, vai descrevendo toda a ação. Mas ele é parte do universo narrativo e os personagens conseguem ouvi-lo. O narrador, então, antecipa as ações, criando um verdadeiro duelo de palavras e intenções.

A tensão dos planos faroeste.

Muito bem fotografado, com timing agradável e humor constante, o filme é divertido, técnico e nos mostra a possibilidade do bom uso do clichê. Eric Kissack realiza uma direção segura, cumprindo com louvor a proposta desta obra. Além de reforçar o fato de que as palavras podem ser tão letais quanto projéteis de chumbo e pólvora.

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