Em uma era ultra modernista, em que tudo é feito por comando de voz através de um computador de inteligência artificial, os humanos ainda não inventaram um jeito para não sofrer por amor. Theodore (Joaquin Phoenix) é um homem solitário, que trabalha como escritor de cartas para pessoas que não conhece, de pessoas que por algum motivo não se dão trabalho de escrever. Em oposição àquele mundo de máquinas, ele ainda se dá o trabalho de sentir. É um homem sensível que ainda acredita no amor, apesar da era robótica em que vive. Recém divorciado, deprimido, busca num novo sistema operacional a fuga para seu tempo passar mais rápido – e talvez melhor.

É aí que entra Samantha (Scarlett Johanson). Um robô programado especialmente para Theodore, que exerce funções de secretária e que, além disso, é a amiga que ele tanto precisava. Durante as tantas conversas entre os dois, nos deparamos com os problemas de Theodore enquanto humano (a separação, a dor da perda, a saudade) e com os problemas de Samantha enquanto… robô? Ela não pode ser classificada como “it”. Ela sente – será? Ela é uma boa pessoa – pessoa? Essas dúvidas intensificam a aproximação dos dois, que acabam tendo apenas um ao outro para desabafar. E, como dizem por aí, duas coisas curam um amor: um novo amor ou o tempo. Theodore se apaixona por Samantha.

Os dois começam então a quebrar barreiras entre a realidade e a possibilidade de estarem juntos na vida real. Uma relação virtual, tão profunda e cheia de sensações como a real. Uma mensagem que o amor pode quebrar barreiras.
“I was just somewhere else with you. Just lost. Just you and me…”
“I know. Everything else just disappeared. And I loved it….”
“Her” nos ensina o que é estar apaixonado, assim como Theodore ensina para Samantha. Ele começa a se sentir vivo e feliz como antes, sua alma volta a ser jovial e transparece ser um novo homem – ou o que era antes de sofrer. Não é preciso compromisso para que haja felicidade. Só é preciso…ser.
E é aí que mora a controvérsia. Um tempo depois há um choque contra a realidade: será que Theodore não estava apenas buscando uma relação perfeita, ao invés de tentar lidar com os imprevistos de uma relação no mundo humano? Aquilo era paixão ou medo de passar por tudo novamente e praticidade ao escolher alguém que sempre vai fazer algo do jeito que ele goste? Será que o mundo está fadado a ter relações virtuais, e acompanhar toda a tecnologia de um futuro?

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