Benedict Cumberbatch é, sem dúvida, um dos grandes astros do cinema atualmente. Depois de excelentes atuações em projetos de grande expressão (Star Trek, O Hobbit, Sherlock), o ator chegou ao seu auge nesse filme. O Jogo da Imitação conta a história de Alan Turing, um cientista inglês que desvendou o código nazista, o enigma. Mesmo não sendo um nome muito conhecido, Turing teve um papel importantíssimo na Segunda Guerra Mundial, e até depois da guerra, sendo o criador do computador. O longa foi indicado em oito categorias no Oscar: Melhor Filme, Ator, Atriz coadjuvante, Direção, Roteiro Adaptado, Edição, Design de produção e Trilha sonora.

O diretor MortenTyldum faz um trabalho eficaz, mas nada muito arriscado. Ele não constrói o filme linearmente, ou seja, alterna entre a vida de Turing no colégio, seu trabalho durante a guerra e sua vida pós guerra. Este talvez seja o maior problema do filme. O passado e o futuro tornam-se desinteressantes quando comparados ao plot principal. Algumas vezes até irrelevantes. Por esse e outros fatores, Tyldum não merece ganhar o Oscar de diretor. Existem candidatos muito mais fortes nessa categoria.
Quem realmente carrega o filme é Cumberbatch. Como já citado antes, aqui ele atingiu o auge da sua carreira. Criando um personagem inteligente e arrogante e ao mesmo tempo ingênuo, mas no melhor sentido da palavra. O longa levanta a discussão do que é ser normal, e nos mostra que Turing só conseguiu realizar tudo aquilo porque ele não era normal. Mesmo sempre botando o cérebro na frente do coração e tomando atitudes controversas, o público ainda torce para o personagem. Isso se dá por causa do carisma e das várias dimensões que Cumberbatch deu a Turing. Esse fator nos prende até o final do filme para descobrirmos o que acontece com o personagem. Sem dúvida, um grande favorito para Melhor Ator.

Keira Knightley também está excelente no longa. Ela retrata uma mulher, assim como Turing, inconvencional. Sua personagem é extremamente inteligente, mas, ao contrário do protagonista, também é sagaz. Sua performance merece uma indicação. Mas não apostaria nela nessa categoria.
Um grande mérito do filme é despertar uma curiosidade no espectador de descobrir o enigma junto com seu personagem. E a solução final é muito bem construída e nos mostra como Turing e todos aqueles que trabalhavam com ele eram gênios. Como esta história permaneceu em sigilo por cinquenta anos, a maioria das pessoas não a conhece. E isso cria uma curiosidade ainda maior, justamente por não sabermos o final. O Jogo da Imitação conta com atuações brilhantes, uma direção funcional, um roteiro que, quando tem que ser bom, é muito bom e, acima de tudo, uma história empolgante e cativante. Não acho que deva ganhar Melhor Filme, mas mesmo assim vale a pena assisti.

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