Já escrevi anteriormente que entendo o Cinema como a Arte que conta histórias através da imagem em movimento. Porém, mais do que isso, há um sem-número de elementos que agregam valor ao que está sendo apresentado do que o simples movimento na imagem. A linguagem, a narrativa, a fotografia, as atuações, a estética, etc… No entanto, considero, ainda, que para uma obra cinematográfica ser completa todos esses elementos devem estar em harmonia, não sendo interessante que algum aspecto sobressaia aos demais. Temo que um dos problemas de Wes Anderson seja esse: tirando-se seu estilo, sobra alguma coisa?

O Grande Hotel Budapeste (que garantiu sua indicação ao Oscar de Melhor Filme, sendo um dos oito, dentre possíveis dez; desbancando, inclusive, títulos extremamente interessantes como Interstellar e Foxcatcher) conta a história de Zero (Toni Revolori), atual dono do Hotel, partindo do tempo presente e retornando aos principais momentos de sua vida, apresentando as situações das mais excêntricas pelas quais passou ao lado de seu empregador M. Gustave (Ralph Fiennes). Parece um filme simpático – e talvez até seja, especialmente pela construção de Zero, que é um ser apaixonante devido a sua pureza – mas um dos melhores do ano, como sugeriu a Academia, considero superestimação. A forma como Anderson apresenta a história não me parece ser algo que já não estejamos habituados a ver; tirando as curiosidades

das cenas, que lembram, por vezes, desenho animado, o conteúdo em si não é de todo profundo. Não estou a dizer, porém, que espero apenas conteúdo de um filme. Se assim fosse, leria um livro e promoveria um debate; mas, em minha opinião – e minha opinião, somente –, quando falta algo (tanto história quanto conteúdo) a obra começa a se esvaziar.

Há – é verdade – uma construção interessante de ficção e realidade, na qual Wes realiza um paralelo da História Européia sem citar os episódios de maneira histórica, mas ressignifcando-os a partir de seu conto. Mas, de novo, isso parece não chegar a lugar nenhum. Aliás, essa é uma grande questão com esta produção: onde ela chegou? A mim, não tocou (mas até aí, é apenas um problema meu). Fico com a constante sensação de que, se tirarmos o aspecto grandioso da obra e seu estilo, um castelo de cartas será derrubado por conta de duas peças.

E essa grandiosidade é intrínseca a este filme – nota-se, antes de tudo, já a um olhar descompromissado ao pôster: o elenco é de uma magnitude absurda, contando com Jude Law, Ralph Fiennes, Bill Murray, Léa Seydoux, Willem Dafoe, Adrien Bordy, Edward Norton, dentre outros tantos que me tomaria um parágrafo para citar; alguns, curiosamente, com papéis irrisórios –, tanto que me deixa a pergunta: seria tudo isso para tentar camuflar a falta de profundidade do que nos foi apresentado? Talvez seja, inclusive, o motivo da palavra já estar presente no título.

Sugestões para você: