Pela primeira vez – se não me falha a memória – estou a fazer a review de uma animação aqui no site. Vinda de um país que gosto muito e cuja cinematografia eu idolatro (Argentina), bebendo em um gênero no qual – aí, sim – estou sempre pincelando minhas opiniões, A Frequência Kirlian é a nova série de terror, apresentada em desenho, a compor o acervo brasileiro do streaming. Em apenas 5 episódio de não mais que 10 minutos cada um, somos apresentados à estranha cidade que dá nome à parte do título.

Acompanhamos, portanto, o programa noturno da estação local – o nome da série – que fala, sobretudo, acerca desta cidade misteriosa, aparentemente apagada de todo e qualquer mapa oficial, cujas rotas evitam passar por tais paragens. Mais do que tudo, mais até mesmo do que o personagem que lidera o tal programa, Kirlian é o grande personagem principal do pequeno conto argentino. Nas breves histórias quase que completamente independentes entre si – a não ser pelo pouco a mais que sabemos sobre o vilarejo a cada episódio – descobrimos o quão peculiar é o lugarejo: vampiros, lobisomens, monstros parecem habitar aquelas terras; mas no duro, no duro, ninguém nunca viu ou registrou qualquer dessas coisas efetivamente.

O olho que tudo vê.

Um episódio para cada uma dessas aparições é o recurso utilizado para nos tornar íntimos de Kirlian, relegando a segundo plano os personagens que surgem e desaparecem nestes blocos narrativos. Essa opção por contar a história não favorece de início, dando-nos elementos que parecem não se conectar, fazendo parecer que várias historietas independentes foram aproveitadas em um mesmo universo para a realização desta série. Mas, aos poucos, de modo ainda não definitivo elas até fazem uma união – ainda que com uma costura bem grosseira para certa fluidez – mas não conseguem, no geral, interessar demais o espectador.

Por outro lado, a estética dos desenhos dialogam diretamente com o clima montado pelos diretores, sendo também um modelo deveras peculiar para esse universo bastante diferente que estamos a contemplar durante os capítulos. Os personagens não tem expressões ou linhas de diferenciação em seus rostos, sendo todos uma grande penumbra sem detalhes, aumentando ainda mais o significado da cidade em detrimento de seus personagens. Eles pouco nos interessam; todo o mistério gira em torno dessa tão falada Kirlian.

A estética da série.

Apesar disso, mais uma vez, a falta de “liga” entre os pequenos contos nos deixa a clara impressão de que esta primeira temporada fora tão somente um cartão de visitas para o que se sucederá nas (possíveis) próximas produções. Um tiro arriscado, visto que o desinteresse pela história como um todo pode atingir o espectador, relegando a segundo plano – assim como os personagens da série – as demais temporadas que porventura sejam lançadas.

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