A Netflix é um verdadeiro monstro em produção de documentários em diversos formatos. Temos premiados longas – “A Indústria Americana” e “Democracia em Vertigem” -, curtas – “Os Capacetes Brancos” e “Absorvendo o Tabu” – e os estupidamente bons e seriais como “Making a Murderer” e “F1: Dirigir para Viver“. São tantos e tão bons que eu poderia fazer um artigo só indicando obras que são a especialidade da nossa plataforma de streaming favorita.

Dito isso, sempre que estreia algo do gênero, eu sou o 1o a pular em cima aqui na redação. Ao ver o trailer de A Máfia dos Tigres, achei que assistiria algo na mesma pegada de “Wild Wild Country“, documentário serial sobre um líder religioso e sua seita nos EUA. Mas em vez de seguirmos uma referência religiosa, seguimos um personagem excêntrico e que somente o cu mais obscuro e mal lavado dos EUA poderia produzir, Joe Exotic.

Tamanha é a sua importância para o cenário de animais felinos exóticos que ele é considerado um dos maiores procriadores desses animais em território americano, colocando seu país com o dobro de tigres em cativeiro do que há em seu meio natural na Ásia, por exemplo. E por mais que o trailer e o 1o (de 7) episódio apontassem para a discussão legislativa e de direitos dos animais sobre manter e procriar animais exóticos e perigosos em casa a partir da vida de um ícone dessa indústria, não foi isso que recebemos.

Começando pelo seu final, somos despidos totalmente de qualquer surpresa sobre o desfecho da obra, tanto pelos atos que levaram ao desfecho da série quanto pelas consequências desses atos para a comunidade. Ficamos somente com os meandros para entender como esse caminho foi construído, que, ao invés de ser crítico, se perde um tanto em um show de excentricidades com diversos personagens que você custa a acreditar que são reais.

Essa disputa de egos e picuinhas pessoais que são o foco da série, com os animais margeando a história. É uma quebra  de expectativa, mas ainda assim temos o vislumbre de situações com esses seres que nos deixam indignados. Maus tratos, exploração comercial, alimentação precária, funcionários mal treinados e mal pagos, acusações de assassinato e heranças usurpadas, dentre outras bizarrices.

A Máfia dos Tigres é uma série que perde foco ou, talvez, não tenha o foco que imaginei que tivesse. Contudo, ela é bem produzida e instigante, deixando o espectador curioso para entender e conhecer melhor seus pitorescos protagonistas. Ela não é sobre animais em jaulas. É sobre os animais fora delas.

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