A curiosa e sombria história real por trás da família Winchester, dona da indústria de armas de fogo que confecciona os rifles homônimos (importantes em determinados momentos históricos de guerra, inclusive), ganha sua versão para o Cinema, no gênero suspense/terror. Aparentemente, a mansão Winchester, até hoje, é um dos locais mais assombrados dos Estado Unidos. E é em sua construção e reconstrução que se passa a narrativa de A Maldição da Casa Winchester, o mais novo filme dos irmãos Michael e Peter Spierig.

O doutor Price (Jason Clarke) é um médico de licença dos seus afazeres, que passa os dias se drogando e saindo com prostitutas. Este é seu modo de lidar com a dor da perda de sua mulher. Afundado em dívidas, recebe o estranho convite do advogado da empresa Winchester para que dê um laudo acerca do estado mental da viúva e detentora majoritária do negócio, a senhora Sarah Winchester (interpretada com notável presença pela deslumbrante Helen Mirren), devido à sua compulsão louca de construir e reconstruir, incansavelmente, a mansão onde mora. Sendo comprado por uma boa oferta, Price não hesita em aceitar o esquisita chamado.

O casulo de espíritos.

Chegando lá, o doutor vai ter suas crenças e sensações desafiadas quando, constantemente, nota presenças espirituais quase que a cada canto de qualquer um dos mais de 100 aposentos da propriedade. Certo de que são truques da sua mentes pela droga sempre presente em seu corpo, Price não aceita tais experiências como reais. Tudo é intensificado durante as sessões com Sarah Winchester, que inverte os papéis ao mexer com o estado emocional e psicológico do médico, fazendo-o penetrar no mundo sobrenatural do qual tanto duvida. Como um espião dentro de uma base inalcançável, Price testemunha que as eternas obras de Sarah são realizadas por conta dos espíritos que ali rodeiam.

Sei que, para muitos, histórias que envolvem esses tipos de fenômenos são por demais fantásticas, mas não para mim. Quando uma narrativa desse universo se desenvolve com aspectos comuns à literatura espiritualista, tão mais aterrorizante fica o conto. E o filme parecia caminhar por esse lado ao nos colocar frente a frente com breves aparições, fazendo uso de jump scares a todo instante. Porém, chega um momento em que tudo fica fantasioso demais e a produção desanda.

Price e Sarah, ligados pelo objeto Winchester.

É que a grande mansão Winchester é quase como uma gigantesca prisão de almas penadas (como aquele pedal maluco de “Os Caça-Fantasmas“) e Sarah é a responsável por orientar os espíritos errantes. Carregando a culpa de ser produtora de algo que faz vítimas ao longo da História, Sarah quer se redimir e se livrar da maldição que acredita ter, fazendo a alma de vítimas de algum rifle Winchester reencontrar o seu caminho. Além disso, não tendo como negar tudo aquilo que vê e experimenta diariamente, Price se torna um desses caçadores de espíritos, mas com um rifle Winchester com bala e pólvora, amigo!

O resultado é um filme de terror que insiste na mesma estrutura e modelo usual do gênero, além de não aprofundar personagens que poderiam ter sido mais bem aproveitados. Juntando-se aos excessos que a narrativa comete, chega um momento em que a produção flerta com a galhofa. Ao concluir, você fica com uma sensação de que a obra sai de nenhum lugar para lugar nenhum, apesar de que todo esse cenário e atmosfera que essa história real sugere seja deveras instigante.

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