Quando vejo o nome de Frank Grillo envolvido na produção de qualquer estreia que eu tenha que assistir, a 1a coisa que me vem a mente é porrada. Indo desde bons longas como “Wheelman“, até séries como a prestigiada “Lutas Ancestrais“, sobre artes marciais pelo mundo, não creio que seria exagerado dizer que ele é o Jackie Chan ocidental da nova geração (seria, editor-chefe? Nota do Editor: seria exagero pra caralho dizer isso, já que Chan é dos maiores da história e Grillo é só mais um). Aqui em À Queima-Roupa, a minha expectativa não é frustrada. Frank nos conduz por um filme simples e direto, calcado na ação e, surpreendentemente, com momentos de grande carga emocional.

Ajudando-o nessa empreitada, Anthony Mackie, o “Falcão da Marvel (lembrando que Grillo também está no MCU, como Ossos Cruzados, um vilão meio irrelevante que o Capitão América espanca no Soldado Invernal num elevador), que interpreta Paul e compõe um grupo inusitado com Grillo, mas com uma química inesperada dada as circunstâncias dessa parceria. Ele interpreta um enfermeiro e estudante de medicina que está esperando seu filho chegar ao mundo, com sua esposa quase completando 9 meses de gravidez. Mas eis que em um dos plantões no hospital, ele atende Abe (Frank Grillo), uma pessoa acompanhada pela polícia, baleada e atropelada, que carrega consigo algo de valor imensurável. Sem entrar nos meandros do que ocorre nesse hospital, ele acaba vítima de uma chantagem e aceitá-la é inevitável. Em troca de retirar Abe do hospital, o chantageador, entregaria para ele sua esposa grávida.

No encalço da dupla temos 2 núcleos. Os policiais, encabeçados pela dupla Lewis (Marcia Gay Harden) e Masterson (Boris McGiver), e os capangas de Big D (Markice Moore), um chefão do crime a quem Abe deve muito dinheiro. Dentro desse cenário, Abe precisa arranja uma forma de pagar o que deve sem ser pego, enquanto Paul tanta mantê-lo vivo para reaver a esposa e seu futuro filho.

Confesso, dada a premissa e os atores envolvidos, que fiquei parcialmente decepcionado. No que tange a violência, até temos cenas fortes e que justificam a classificação etária elevada, até mesmo fui surpreendido com algumas situações emocionalmente pesadas não costumeiras em longas com esse perfil e que com toda certeza te deixarão afetado. Porém, a obra sofre com uma trilha sonora muito mal encaixada que rouba toda a sensibilidade de algo construído com certo esmero em seu terço inicial. Há toda uma edificação dos protagonistas feita por um roteiro acima da média, que encontra em suas partes mais sensíveis momentos que deveriam ser o ápice de certos personagens, mas que viram galhofa numa montagem que só te faz balançar a cabeça em desacordo com as oportunidades perdidas. Isso sem mencionar um dos núcleos que careceu urgência, o do Big D, com capangas e situações que um diálogo resolveria sem maiores problemas.

Contudo, aquela previsibilidade esperada em filmes de ação – que até se faz presente em alguns pontos – não ocorre como sempre costuma, com eventos que subvertem nossa expectativa. Muito dessa quebra é devido, sem dúvida, pelas sólidas atuações de atores como Boris e Anthony – como visto em House of Cardse Black Mirrorrespectivamente -, provando que há sim espaço em películas do gênero para desenvolver personagens além da unidimensionalidade que a porradaria requer. Paul é o melhor exemplo disso, sendo forçado a tomar parte em algo pela obrigação moral para com quem ama, mostrando que algumas coisas são maiores na vida e uma delas é o que a sua palavra representa.

Se algo aprendi vendo o suprassumo do drama envolvendo criminalidade na tv, “Breaking Bad“, além de produzir metanfetamina, e exemplificado na bela fala de Mike Ehrmantraut, é que “existem criminosos bons e policiais maus, padres maldosos e ladrões honrosos. Você pode estar do lado da lei ou não, mas se você faz um trato com alguém, você mantém sua palavra.” Nada exemplifica melhor À Queima-Roupa do que essa citação. Essa é uma película que ressalta o caráter do indivíduo, sendo a lei um mero detalhe.

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