Normalmente, quem faz as resenhas acerca de filmes de ação é o nosso especialista Gustavo David. E, ao selecionarmos os títulos a serem contemplados por nós na semana, o filme deste gênero lançado na Netflix esta sexta-feira, chamado A Vingança de Maria, ficara com ele mesmo. No entanto, ao perceber que a produção era das Filipinas, mesmo país de Aurora, cuja crítica que escrevi foi pouco amistosa e sobre a qual fui carinhosamente chamado atenção por nosso leitor Roberto Szabunia (quem, provavelmente, está certo em suas ponderações), optei por insistir no contato com as obras de lá. Sendo assim, o que se seguirá aqui são as impressões de alguém que não é lá muito íntimo do Cinema pancadaria.

Maria (Cristine Reyes) é uma ex-mercenária de um grupo muito influente nas Filipinas. Porém, após não completar com sucesso uma missão, ela desaparece das relações daqueles criminosos e vai viver uma vida normal, constituindo família com seu marido e a pequena filha. Mas o acaso a coloca de volta cara a cara com a tal gangue, que prontamente executa sua família toda. Em sua fuga, Maria, obviamente, promete vingança pelas vidas de seus entes queridos. A sequência, a partir daqui, é aquela velha conhecida. Porradaria estancando em várias cenas de luta.

Seria por demais ingênuo ou até pedante de minha parte querer que um filme com essa premissa, dentro do gênero proposto, se pusesse a falar profundamente de qualquer assunto. Mas, surpreendentemente, A Vingança de Maria consegue, com certo sucesso, pincelar diversos temas interessantes dentro desse universo sugerido. Nem mesmo críticas políticas escapam neste enredo: o marido da protagonista acreditava que o novo Governador fosse o futuro da nação, ignorando os boatos que o ligara ao grupo criminoso (do qual Maria fez parte em sua “vida passada”) – algum sininho tocando aí? Fora isso, relações de ganância e inveja também são exploradas nas cenas que ligam a história do grupo com a de Maria.

No tocante ao que, talvez, mais importe para esta produção – isto é, a ação – ela não parece deixar a desejar. Tenho como referências para este tipo de realização “Identidade Bourne”, que consegue ser divertido, pontual e envolvente a um só tempo, trazendo porradaria de tirar o fôlego, lindamente filmada. Não que este seja a versão Bourne filipina, mas as cenas de ação são muito bem filmadas e executadas. Além de trazer uma mulher como protagonista de uma história assim, longe de ser aquele tipo de história liderada por Jennifer Lopez (em “Nunca Mais”), a produção filipina consegue ser mais séria e sincera.

Sem grandes problemas narrativos – como os que encontrei no seu conterrâneo e supracitado “Aurora” – A Vingança de Maria cumpre com sua proposta, resultando em uma realização redonda, mas sem ir a fundo em um caminho inesperado. A consequência, obviamente, é um pouco mais do mesmo. Mas o contexto filipino, as pinceladas em temas para além do mero divertimento (ainda que de forma bem superficial) e o protagonismo feminino destacam um tantinho mais este filme básico de ação.

Sugestões para você: