Há alguns anos, uma fanfic era lançada para o mundo adolescente, trazendo uma narrativa que envolvia temáticas eróticas em um claro estilo 50 tons. Uma história bem conhecida de um jovem rebelde, que se envolve com uma mocinha virginal, cujo único objetivo é tirá-la de um universo de faz-de-conta sobre o qual ela exala a cada ação. O tema, apesar de muito explorado, ainda mexe com o imaginário das adolescentes, o que justifica o grande sucesso desta publicação virtual, que fatalmente a levaria às telas do cinema.

Tessa (Josephine Langford) chega à universidade acompanhada de sua mãe e de seu namorado de infância, deparando-se com um mundo completamente diferente ao que estava habituada. A contragosto da progenitora e de seu par, ela mergulha fundo nas novas relações sociais ditadas pelo novo ambiente. Dessa forma, conhece Hardin (Hero Fiennes Tiffin), um garoto obscuro, porém intrigante aos olhos da mocinha. A pureza angelical de Tessa, por outro lado, também desperta curiosidade no protagonista. O resultado é um relacionamento que se inicia a partir de uma simples brincadeira, mas que toma contornos desafiadores.

Em uma clara e manifesta tentativa de atrair o público mais jovem às salas, a realização do filme segura muito a onda presente no livro que lhe deu origem. Enquanto a escrita explorava abertamente o despertar da sexualidade de Tessa, bem como a lascívia sempre presente nas iniciativas de Hardin, o filme em nenhum momento aprofunda essas questões tão marcantes no livro, um dos motivos de seu grande sucesso. A comparação aqui não é entre mídias, mas somente acerca dos elementos que definem a essência do romance redigido por Anna Todd. Consequentemente, de cara, há uma quebra na proposta narrativa. Isso poderia não ter sido um problema, caso os demais temas discutidos pela autora tivessem a mesma atenção dada em seus escritos.

As questões que se apresentam como urgentes ao público-alvo dessa história são relegadas no filme a segundo plano devido a um problema muito latente de ritmo narrativo. A sensação, ao assistir as sequências da realização cinematográfica de Jenny Gage, é que se trata de um corte e colagem de algumas cenas que mostrariam o desenvolvimento do conflito de seus personagens. Para quem nunca teve um contato prévio com o enredo é impossível que se crie uma empatia com os protagonistas, tirando do espectador a possibilidade de construir uma relação direta com a trama e seu desenrolar. Esse atropelo de situações e as rápidas soluções para os problemas enfrentados por Tessa e Hardin geram um clima novelesco, sem profundidade e sem o menor cuidado necessários a uma obra de Cinema.

Analisando-se o filme pelo filme, sem qualquer consideração comparativa entre as mídias que exploraram esta história, temos um romance bem cliché sobre o envolvimento de uma mocinha ingênua que se apaixona pelo badboy que, por sua vez, tenta se transformar por ela. Sem profundidade, sem ritmo narrativo e sem criar uma relação com seu espectador, After está longe de ser um filme com alma e apaixonante. É difícil imaginar que consiga repetir o sucesso que levou este conto às telas do cinema. Triste para os fãs que gostariam de ver representado na tela a essência que os cativou.

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